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Mãe Híbrida

Mãe de um filho único, mas que também é mãe de muitas outras crianças

(Foto: iStock)

(Foto: iStock)

Todas nós temos um espaço de vida a ser preenchido.
Sim.
Bem ali no ventre.
De onde saem todas as crias.
Filhos ou não. O ato criativo é divino.

Mas também tentadora é a onipotência.
Deus fez o homem à sua imagem e semelhança.
E as mulheres, (cuidado), podem fazer o mesmo: parir um ser à sua imagem e semelhança.
Uma vida.

Se o choro do bebê, o sentimento de impotência perante a cólica, a dor, a solidão, não nos puser de pés no chão, é traição certa: acreditamos.
Sou Deus.

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Agora, se junto com esta atividade divina se juntarem outras crias, a gente entendeu!
O ato divino não é só nosso, é de todas nós, e esta potência é única, intransferível e está presente em tudo.
E como tudo o que é nosso, é inimitável,  pois carrega nosso DNA.

Meus primeiros filhos foram de outras pessoas, que cuido dentro de hospitais e do consultório.

Meu filho único é o Pedro, companheiro de todas as aventuras e quem me ensinou a, depois de fazê-lo, não me sentar no trono dos deuses e por as mãos à obra.

Pedro ganhou muitas irmãs siamesas com as colunas da Pais e Filhos em que sempre escreveu comigo, deixando a mãe Híbrida contar nossos micos, papos e aventuras.

⁃   Manheeeeê! Um segundo, tô terminado a coluna!

⁃   Manheeeeê ! Já te ligo, assim que acabar a consulta!

Aí um dia, semana passada, ele recebeu a notícia:

– Sabe aquelas roupas empilhadas no sofá ? Que fiz pra mim ?
Outra gravidez.

Em 06 de novembro de 2017, nasceu a irmã mais nova do Pedro.
A Híbrida.

A vida da mãe do Pedro.
A vida da Ana Guedes antes do Pedro.
A vida de filha bailarina do avô do Pedro.
Se o Pedro está com ciúmes ? Não. Ele sai da escola enquanto saio do consultório e me encontra na Nuvem. A Nuvem é um coletivo de criaturas criativas super bacana aqui em Porto Alegre.
E sem culpa nenhuma, aqui sentada pendurando araras, depois de atender e dar o almoço pro Pedro, escrevo esta coluna enquanto saio e volto do consultório a tempo de encontrá-lo na Nuvem, onde ele vem me ver, e brincar com o Arthur, filho de uma amiga criativa que anda por aqui também!

E esta noite dormimos juntos, talvez na mesma caminha,  dividindo sonhos, enquanto ele me conta como vai confeccionar seu animal fantástico, que vai ser só dele.

Pois só é dele cada criatura que dele sai com vida.
Por isso temos nomes próprios !

À todas as mulheres que dividem seu tempo com todas as suas criações e em especial a todos os meus filhos, das letras, da moda, do consultório e de casa.

Ao Pedro, e também à Clara e à Sofia. E à Nuvem aqui em Porto Alegre, neste antigo casarão de ideias.

Um beijo carinhoso meu, de meus eus, para que todos os outros eus de cada uma de nós cresçam como nossos filhos, únicos, de asas, identidade e amor por si.

Culpa só mora onde não existe afeto!

Um beijo mais de todos nós dentro de mim.

Ana Guedes
Psicologia Clínica e Hospitalar

 

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