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Um corte de cabelo e um menino mau demais

A imaginação e a criatividade de uma criança faz toda a diferença

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(Foto: istock)

Mãe, eu quero moicano. Um moicano leve.

Tá bom.

Joaquim me pediu para encontrar uma foto de meninos com moicano. Vimos juntos as primeiras e ele logo escolheu uma. É essa. Nem quis ver as outras, não precisava. Sabia o que queria e não perde tempo (como eu) em encontrar várias possibilidades até esgotar e não saber mais o que quer.

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Dia seguinte, Rafa foi em casa e começou o esquema. A maquininha ligou e eu tremi. Pensei que no final do corte ele acabaria não gostando por ser tão radical. Contente em ser ele o cliente dizia: nossa mãe, nem dói. Nem quando passa perto da orelha e encosta na orelha, nem dói. Eu quero assim aqui para trás, aqui bem curto e aqui para frente. Fazia com as mãos o gesto dando direção aos cabelos e assumia um corpo que já estava pronto para tal.

“Eu sou um menino mau demais”, frase de Baltazar Bratz, vilão do filme Meu malvado favorito 3. Um tipo anos 80, com cabelo que eu tinha quando era criança para fazer dupla sertaneja com minha prima Thais, com ombreiras grandes num terninho lilás, com corpo dançante que deixou meu filhote encantado por tamanha desenvoltura na maldade. Com o cabelo novo, uma guitarra e sentimento de tamanhura, Joaquim moicano menino mau demais aconteceu.

Dias depois, totalmente ainda feliz com seu novo corte nas madeixas, dançando enrolado a panos ao som de I’m bad, meu filho me fez lembrar de uma fralda que eu colocava no pescoço para virar a Mulher Maravilha subindo e descendo dos beliches para lutar com meus dois irmãos, os outros super heróis disfarçados em fraldas de bebê. A gente não precisava de muita coisa não. Escrevo enquanto escuto nossas risadas, alguns soluços que nos faziam parar a brincadeira para respirar, beber água com ouvidos e narizes tampados por polegares e indicadores, em três goles para o soluço parar. Coisa ensinada pelo meu pai e que até hoje é só o que funciona comigo.

Ali, vendo tal corpo se mover, sentindo ao mesmo tempo a minha lembrança, Joaquim me convida a dançar. A música é colocada umas 14 vezes até cairmos no sofá da sala. Damos muitas risadas, algumas tossidas e, por fim, soluços. Levanto para pegar água. Fim.

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