Gravidez

Você prefere menino ou menina?

Talvez você até tenha ficado um pouco chateado ao descobrir o sexo do seu bebê. Isso é bem mais comum que você imagina.

Redação Pais&Filhos

Redação Pais&Filhos

Bastou ficar grávida para vir a pergunta: “O que você quer? Menino ou menina?”.  Você ouve isso o tempo inteiro, de tudo quanto é pessoa! Aí você responde o politicamente correto, o certinho, o que tem que ser respondido, ou seja, que só quer um bebê saudável, seja ele o que for. Não é mentira. É isso o que todas as mães querem mesmo. Em primeiro lugar e acima de tudo. Mesmo que lá no fundo tenha alguma preferência. É difícil assumir essa preferência, “não fica nem bem”, não é?

Só que quando é a gente com a gente mesmo, as coisas acontecem de outro jeito. E lá vai você para o exame de ultrassom cheia de expectativas e torcidas. E o resultado te desaponta. Como as pessoas reagem? A maioria finge que está tudo bem, continua no papo, do “oba, oba”. Hummm… Esse é um sentimento que Katherine Asbery conhece bem. Ela é autora de Altered Dreams: Living with Gender Disappointment, ou Sonhos Alterados: Lidar Com o Desapontamento de Gênero (em tradução livre) e torcia para que seu segundo filho fosse uma menina, mas teve outro menino. Antes de ficar grávida pela terceira e última vez, tentou táticas que viu na internet que diziam ajudar na concepção de uma menina. Tomou iogurte para tentar mudar o equilíbrio do pH de seu corpo, e ainda fez o marido tomar banhos quentes para alterar a temperatura dos espermas. Quando descobriu que daria à luz outro garoto, até chorou. “Depois me senti culpada” diz ela. Katherine não é a única. Muitas mulheres já soluçaram durante os exames de ultrassom. Isso não é o fim do mundo: existem jeitos de lidar com essa decepção inicial e ficar entusiasmada com o sexo do filho que você está esperando.

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Aceite suas emoções

O primeiro passo é ser honesta com você mesma, diz Stephan Quentzel, psiquiatra especializado em problemas na gravidez e no parto. “Pode parecer feio dizer em voz alta ‘eu queria um menino e não uma menina’, porque espera-se que você ame a criança que vai ter, em qualquer condição”, afirma. Não se sentir empolgada no início não é nenhum problema. Esse sentimento muda logo. Não precisa ficar envergonhada por estar chateada com a notícia e de as pessoas perceberem isso. “Muitas mulheres fazem questão de secar os olhos e forçar sorrisos antes de sair da sala de ultrassom”, observa a enfermeira psiquiátrica Joyce Venis, autora de Postpartum Depression Demystified, Desmistificando a Depressão Pós-Parto, em tradução livre. Segundo ela, esconder os sentimentos e guardar as emoções apenas para si faz muito mal. “Sentimentos não são bons ou ruins, são apenas sentimentos”. Por isso, reconheça-os e conte sobre eles para seu parceiro, e encoraje-o a fazer o mesmo se ele também estiver desapontado.

Supere suas preocupações 

Pergunte-se por que você está se sentindo desse jeito.  Você está chateada porque cresceu com irmãos homens e sempre imaginou lutas e partidas de futebol na sala de jantar? Você imaginou gastar fins de semana fazendo compras e artesanato com sua filha? Só vamos te lembrar de uma coisa, e é bom você já aprender essa lição agora: filho não é o que a gente quer, mas o que ele é. A menina que você está esperando pode odiar babados, ser bagunceira e uma ótima esportista, ou este menino na sua barriga vai nascer detestando futebol… Parece óbvio, mas não é. A menina pode adorar babados e detestar artesanato. Seu filho pode ser muito energético, mas para tocar bateria, enfim… O que estamos dizendo é seu filho pode ser do sexo que você queria e não ter os interesses e a personalidade que você esperava. E é melhor se preparar para isso. De novo: os filhos são o que são.

Outra possibilidade de ter estes sentimentos negativos – e essa é mais delicada – é que surjam dúvidas sobre o próprio exercício da maternidade. Joyce diz que medos como “não sei jogar baseball, como vou ensinar meu filho?” são comuns. Então lembre-se que você não precisa saber jogar nada nem gostar de brincar de boneca para criar uma menina, por exemplo. Ter filho é uma relação de troca. Você ensina e aprende com ele, o tempo todo. Pode ter certeza que você aprenderá o que é preciso conforme a convivência com a criança. 

 Confie na sua habilidade para amar 

A boa notícia é que qualquer sentimento de descontentamento ou de culpa não vai durar para sempre. Tudo o que você realmente sabe sobre o seu bebê na gravidez é o sexo que ele tem. Depois que ele chegar ao mundo, você terá o “pacote” completo – personalidade, características particulares e aqueles olhinhos te olhando, loucos para te conhecer e por se apaixonar. Fato: “a decepção em relação ao gênero geralmente dura só até o nascimento da criança, quando mãe e filho finalmente se conhecem”, diz a psicoterapeuta Diane Ross Glazer. Hoje em dia, Katherine, que chorou ao saber que seu último filho, assim como os outros, também seria um menino, é apaixonada pelos três pestinhas. “Meus filhos são uma benção para mim. Cada um tem o seu jeito e todos trazem coisas fantásticas a nossa família”.

Meninos X Meninas

Cada criança é de um jeito e seu filho pode (vai!) te surpreender. Mas existem algumas particularidades de saúde, desenvolvimento e comportamento de cada gênero. Listamos algumas para você ter uma ideia do que vem por aí.

– Meninas tendem a produzir mais oxitocina, o hormônio do vínculo, e serotonina, da felicidade. Está aí o motivo delas geralmente serem mais inclinadas a cuidar de bonecas e bichos de pelúcia. Afinal, abraçar e alimentar são atividades ligadas ao vínculo.

– Meninos exploram as coisas mais fisicamente, costumam ficar cercados de amigos e tem uma maneira desenfreada de expressar sua energia desde pequenos.

– Meninas sentem dor e desconforto com mais intensidade, por isso podem chorar mais quando têm frio, por exemplo. Mas elas se aconchegam e se acalmam com mais facilidade.

– Meninos geralmente dominam movimentos mais complexos, como construir uma torre de blocos, mais cedo que as meninas. Isso acontece provavelmente porque a área do cérebro masculino dedicada à relação visual-espacial é maior.

– Meninas têm mais facilidade na fala, com um vocabulário de cerca de 90 palavras aos 18 meses. Na mesma idade, os meninos têm cerca de 40 palavras no vocabulário.

– Meninos pesam em média 3,4 kg ao nascer, enquanto as meninas pesam 3,3 kg. Isso porque as grávidas de meninos consomem mais calorias do que as grávidas de meninas.

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