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Bebê sem rosto aguarda cirurgia e médicos falam qual é o estado de saúde dele

Rodrigo completa hoje um mês de vida

Cinthia Jardim

Cinthia Jardim ,filha de Luzinete e Marco

O obstetra não verificou os exames de Rodrigo corretamente antes do nascimento (Foto: reprodução/Correio da Manhã)

Rodrigo, o bebê que nasceu sem rosto, em Portugal, completa um mês de vida hoje, 6 de novembro. O caso ainda é complexo e ele deve passar por diversas cirurgias ao longo da vida. Em entrevista ao R7, o professor doutor Aristides Augusto Neto, do Departamento de Cirurgia e Ortopedia da Faculdade de Medicina da Unesp, disse que esse tipo de malformação é “extremamente raro”, e ele deverá ser acompanhado por uma equipe com vários especialistas.

A criança nasceu sem os olhos, nariz, parte do crânio e céu da boca. De acordo com uma fonte próxima da família, Rodrigo também nasceu surdo. Depois do parto, as expectativas de vida eram apenas de poucas horas, e hoje, o bebê já consegue se alimentar por uma mamadeira e respirar sozinho.

A mãe do bebê compartilhou a primeira foto do filho (Foto: reprodução / Impala)

O professor comentou também que através de exames clínicos e tomografias, é possível visualizar as reais condições da criança. Aristides disse também que por ele estar respirando e se alimentando, será possível dar mais passos ao tratamento. “A primeira preocupação nossa é entender o quanto essa malformação põe em risco a vida dessa criança, se afeta a capacidade de mamar, respirar e manter quantidades basais mínimas de vida: temperatura, frequência cardíaca, e ritmo respiratório. Essas atividades mostram que toda a parte nervosa que permite que isso aconteça está funcionando bem, a musculatura que permite a deglutição do leite também”, explicou.

A primeira cirurgia a ser realizada, dependerá do ganho de peso de Rodrigo, pois as operações podem fazer com que haja uma grande perda de sangue. O quadro de saúde do bebê é acompanhado diariamente desde que ele nasceu. Ainda de acordo com Aristides, “existem um leque enorme de opções cirúrgicas para malformações craniofaciais”, conclui.

Entenda o caso

Os pais entraram com um processo contra o médico que acompanhou a gravidez (Foto: Getty Images)

Um caso médico de Portugal chamou a atenção do mundo nesta semana. Rodrigo, que tem pouco mais de uma semana de vida, nasceu sem os olhos, nariz e parte do crânio. A repercussão foi grande pois as más formações não foram detectadas pelo especialista que acompanhou a gravidez.

A família contou ao jornal Correio da Manhã que seguiu com o profissional durante os 9 meses, em que foram feitos 3 exames de ultrassom, mas que não teve nenhum feedback sobre a anomalia. Eles só tiveram conhecimento ao fazer uma ultrassonografia 5G em outro hospital.

Depois do alerta, retornaram para o pediatra que já os acompanhava, que não levou os resultados à sério e afirmou que não havia nenhuma complicação com o feto. A prova real veio no dia 7 de outubro, com o nascimento do bebê no Hospital de São Bernardo, em Setúbal.

Imagem do ultrassom pré natal (Foto: reprodução / R7)

Diante da situação, os médicos deram apenas algumas horas de vida para Rodrigo, mas ele superou e continua superando as expectativas de todos. O caso ganhou a imprensa quando os pais decidiram entrar com um processo judicial.

No momento, está sendo analisado pelo Ministério Público português. Até o momento, já foi descoberto que o obstetra possuía quatro processos além deste novo, mesmo assim continuava atuando. Não foram reveladas mais informações sobre as investigações.

O Hospital emitiu uma nota: “O acompanhamento da gravidez desta utente não foi efetuado no Centro Hospitalar de Setúbal (CHS). Os meios complementares de diagnóstico e terapêutica também não foram realizados no CHS. Apenas o parto da utente decorreu no CHS, tendo sido no momento detetada a situação”.

No texto, fizeram questão de enfatizar que todas as medidas que podem ser feitas estão sendo tomadas: “A criança e a família têm sido acompanhadas no Serviço de Pediatria com o apoio da Equipa Intra-Hospitalar de Suporte em Cuidados Paliativos Pediátricos do Centro Hospitalar de Setúbal”.

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