Bebês

Choro não! Porque você não deve deixar a criança chorando até cansar

Existem métodos que dizem sim ao choro, mas como deixar o bebê se esgoelar de berrar já que a única forma de comunicação para indicar problemas e desconfortos deles é essa?

Redação Pais&Filhos

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choro não!

*Por Luciana S. Van Deursen Loew

Vamos pensar em várias espécies de animais irracionais e racionais. Pensou? Nossos bebês são os seres que mais dependem dos pais para sobreviver. Aí você deve estar se perguntando: “Ok, mas e daí?”. É importante saber que a principal forma de comunicação que une os bebês às soluções de seus incômodos é o choro. Através dele os recém-nascidos dizem aos pais que estão com fome, frio, sono, medo, dor ou qualquer outro desconforto. Aí, pensamos, por que deixar chorar? Se o que seu filho está pedindo é atenção, ajuda e carinho.

De acordo com Philip Sanford Zeskind, PhD do Levine Children’s Hospital, nos EUA, “o choro tem papel central na sobrevivência, na saúde e no desenvolvimento da criança”. Mas a importância dessa manifestação não se atém à sobrevivência. Segundo William Sears, ou dr. Sears, médico pediatra defensor da Teoria do Apego e autor de diversos best-sellers incluindo Criança Bem Resolvida, o choro é um alerta perfeito:  funciona de forma automática, sem margem de erro; é perturbador o suficiente para chamar a atenção do cuidador, mas não tão alto que o faça querer evitá-lo; e, principalmente, evolui junto com a prática. Ou seja, após um tempo, os pais conseguem identificar a razão do choro e ajudar o bebê. Assim, o choro torna-se um importante meio de criação de vínculo e confiança, sendo não só uma forma de comunicação do bebê.

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Por que o bebê chora?

Mas, afinal, por que é tão difícil para os pais lidarem com o choro de seus filhos? Por que temos tanta dificuldade para decodificar essa mensagem? Segundo Carolina Araújo Rodrigues, mãe de Isabela e Gabriela, neuropsicóloga e mestre em Psicologia do Desenvolvimento pela USP-SP, a evolução da sociedade modificou profundamente a estrutura familiar e, com isso, a relação mãe-bebê. A partir do momento em que outras preocupações passaram a fazer parte da vida da mãe, como trabalho, estudos, é natural que a atenção se divida. Porém, quanto mais dedicação e observação os pais puderem dar nos primeiros meses de vida da criança, mais forte será essa conexão e mais natural o processo para que a criança se acalme.

E para atender à demanda de mães e pais com dificuldade de entender e lidar com o choro de seus bebês que começaram a surgir as técnicas do choro controlado, principalmente relacionadas à hora de dormir. Acontece que há um tempo vem sendo propagado o termo “Ferberização”. Ele vem do nome de Richard Ferber, pediatra americano que foi o precursor dos métodos que pregam que se deve deixar a criança chorar sozinha por determinado período de tempo para treiná-la a aprender a se acalmar sozinha. Hoje existem muitas variações desses métodos, algumas mais humanizadas, outras menos. A maior parte continua baseada na ideia de que a melhor forma de fazer os bebês pararem de chorar seria deixando-os chorar.

As versões mais humanizadas sugerem que os pais entrem no quarto do bebê em intervalos controlados para que eles não se sintam abandonados, mas ao mesmo tempo sem ceder à tentação de pegá-los no colo, de forma que entendam que aquela hora é a hora de dormir. Esses intervalos começam mais curtos e vão aumentando ao longo de cada espera e de cada dia do processo. Outras versões, mais radicais, chegam a defender que o bebê chore até se cansar – citando que pode acontecer, e que é “normal”, de o bebê vomitar de tanto chorar.

Não é à toa que o assunto seja assim tão polêmico… A quantidade de questões que esse tipo de treinamento levanta é enorme: será que os bebês podem ser educados a partir de tabelas genéricas, e será que ignorar seu choro pode causar algum mal? Se o bebê aprende que não vai conseguir o que quer através do choro, de que outra forma conseguiria, se essa é a sua principal forma de comunicação? O que é choro e o que é birra? Aliás, bebês muito pequenos fazem mesmo birra? Afinal, estes métodos funcionam?

Ignorar faz mal?

Os bebês nascem com o cérebro imaturo, porém em pleno desenvolvimento. Isso significa que nos primeiros três anos de vida o cérebro ainda está em organização e é nessa fase que são estabelecidas milhares de ligações neuronais importantes enquanto outras são perdidas. Um ótimo exemplo é a forma como se desenvolve a linguagem: os bebês nascem com capacidade para imitar todos os sons humanos mas, à medida que crescem ouvindo apenas os sons da sua língua materna, vão perdendo a capacidade de reproduzir os que não fazem parte de seu idioma. É por isso que uma criança que aprende a falar duas línguas desde que nasce poderá falar as duas com uma pronúncia igualmente perfeita por toda a vida, mas alguém que aprenda uma segunda língua mais tarde terá dificuldade de pronunciar sons estranhos à língua materna. Assim, uma criança a quem os pais respondem prontamente irá enxergar um mundo onde os outros podem ser de confiança, enquanto uma criança que chora sozinha repetidamente fica programada para deixar de esperar dos outros qualquer tipo de conforto ou de consideração.

Um hormônio chamado cortisol, liberado em casos de estresse, inunda o cérebro dos bebês quando eles choram. Esse hormônio em excesso no cérebro