Companhia aérea responde sobre polêmica de mães não poderem amamentar em voos

“Se quiser amamentar, terá de se cobrir”, disse uma aeromoça da KLM

(Foto: Getty Images)

A companhia aérea holandesa KLM provocou uma polêmica ao pedir às mães que se cubram enquanto amamentam seus filhos durante o voo. Em mensagem no Twitter sobre a política da empresa, a companhia afirmou que “é permitido” amamentar nos voos da KLM, mas que, às vezes, é necessário pedir às mães que se cubram “caso outros passageiros se ofendam com isso”.

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A primeira denúncia sobre o posicionamento da KLM foi feita no dia 14 de julho pela americana Shelby Angel. A mãe fez um relato no Facebook como um desabafo para a situação que vivenciou no mês passado, quando viajava de San Francisco, nos EUA, para Amsterdã, na Holanda.

Ela contou que estava amamentando a filha de 1 ano quando foi abordada por uma aeromoça com uma manta, pedindo que ela se cobrisse. “Ela disse ‘se você quer continuar a amamentar, terá de se cobrir'”, relatou. Shelby se recusou a cobrir seu corpo, dizendo se sentir “extremamente desconfortável e desrespeitada”. No Facebook, ela relatou que sempre procurou ser discreta, mas que sua filha não gostava de ser coberta.

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“Antes de decolar, uma aeromoça se aproximou com uma manta e me disse que se desejasse continuar, precisaria me cobrir. Me neguei porque minha filha não gosta de ser coberta e isso a incomodaria quase tanto como não dar o peito”. Angel apresentou uma queixa formal à KLM e a resposta foi que “a reação desta aeromoça está em linha com a política da companhia”. Por isso, a mãe resolveu publicar o relato com a resposta da companhia área. 

Depois de reclamar com a KLM, ela foi informada de que era a política oficial da companhia aérea e que os passageiros precisavam “respeitar pessoas de outras culturas”. A mãe também lamentou que a companhia aérea “prefira manter valores antiquados que envergonham os corpos das mulheres” e pediu para que outras mães não voem com a KLM se pretendem amamentar seus filhos durante a viagem. 


Em entrevista à BBC, a KLM disse que queria apenas “manter a paz a bordo” de seus voos. “Claro que amamentar é permitido a bordo de aeronaves da empresa. No entanto, nem todos os passageiros se sentem confortáveis com mães amamentando próximo a eles e, às vezes, alguns reclamam com a equipe da cabine”. 

“Para manter a paz a bordo, em tais casos, tentaremos encontrar uma solução que seja aceitável para todos e que mostre respeito à comodidade e ao espaço pessoal de todos. Isto pode incluir pedir a uma mãe que cubra seu peito”, acrescentou o porta-voz.

No Brasil

A reportagem entrou em contato com a KLM do Brasil, que se posicionou de forma diferente à aeromoça do voo de Shelby e do porta-voz que publicou a política da empresa no Twitter. “Nosso objetivo é fazer com que todos se sintam bem-vindos e confortáveis ​​a bordo. Claro que as mães podem amamentar seus filhos durante nossos voos. De modo algum a mãe é obrigada a encobrir a si mesma ou a seu filho”.

“E nós absolutamente não queremos que as mães dos nossos passageiros mais jovens se sintam julgadas sobre a coisa mais natural do mundo. É por isso que a nossa tripulação de cabine pode sugerir a mãe a opção para garantir alguma privacidade ao alimentar o seu filho”, diz a nota.

(Foto: Getty Images)

 O que diz a lei?

O Ministério da Educação assegura, desde maio de 2018, o direito à amamentação nas escolas, universidades e outras instituições federais de ensino, independentemente da existência de espaços para o aleitamento materno. Mas não existe ainda uma lei federal que regulamente o direito das mães de amamentar em qualquer local público ou privado sem sofrer impedimento ou constrangimentos.

O que existe é um projeto de lei, em trâmite no Câmara dos Deputados (PLS 514/2015), que garante o direito à amamentação em público em todo o Brasil, transformando em crime a sua violação. Em alguns estados, existem leis que garantem o direito das mães amamentarem seus filhos em locais públicos. Em São Paulo,  a lei 16.047 assegura à criança o direito ao aleitamento materno nos estabelecimentos de uso coletivo, públicos ou privados. Além disso, há uma lei municipal que multa multa e estabelecimento se o proprietário impedir o aleitamento materno de um bebê.

Esse é um direito que as mulheres estão conquistando aos poucos em todo o Brasil. A Pais&Filhos acredita que qualquer lugar é lugar para uma mãe amamentar seu filho, desde que a mulher se sinta segura e confortável para alimentar o bebê. Amamentar vai além de apenas dar o leite e alimentar o bebê. É um ato de amor, proteção e carinho, que faz toda diferença no desenvolvimento da criança ao longo da vida.

E nós acreditamos que a experiência de aleitamento precisa ser boa para a mãe e para o filho. A amamentação é um ato natural entre mãe e filho, que não deveria ser proibido ou julgado em nenhuma situação ou lugar.

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