Bebês

Companhia aérea responde sobre polêmica de mães não poderem amamentar em voos

"Se quiser amamentar, terá de se cobrir", disse uma aeromoça da KLM

Jennifer Detlinger

Jennifer Detlinger ,Filha de Lucila e Paulo

(Foto: Getty Images)

A companhia aérea holandesa KLM provocou uma polêmica ao pedir às mães que se cubram enquanto amamentam seus filhos durante o voo. Em mensagem no Twitter sobre a política da empresa, a companhia afirmou que “é permitido” amamentar nos voos da KLM, mas que, às vezes, é necessário pedir às mães que se cubram “caso outros passageiros se ofendam com isso”.

A primeira denúncia sobre o posicionamento da KLM foi feita no dia 14 de julho pela americana Shelby Angel. A mãe fez um relato no Facebook como um desabafo para a situação que vivenciou no mês passado, quando viajava de San Francisco, nos EUA, para Amsterdã, na Holanda.

Ela contou que estava amamentando a filha de 1 ano quando foi abordada por uma aeromoça com uma manta, pedindo que ela se cobrisse. “Ela disse ‘se você quer continuar a amamentar, terá de se cobrir'”, relatou. Shelby se recusou a cobrir seu corpo, dizendo se sentir “extremamente desconfortável e desrespeitada”. No Facebook, ela relatou que sempre procurou ser discreta, mas que sua filha não gostava de ser coberta.


“Antes de decolar, uma aeromoça se aproximou com uma manta e me disse que se desejasse continuar, precisaria me cobrir. Me neguei porque minha filha não gosta de ser coberta e isso a incomodaria quase tanto como não dar o peito”. Angel apresentou uma queixa formal à KLM e a resposta foi que “a reação desta aeromoça está em linha com a política da companhia”. Por isso, a mãe resolveu publicar o relato com a resposta da companhia área. 

Depois de reclamar com a KLM, ela foi informada de que era a política oficial da companhia aérea e que os passageiros precisavam “respeitar pessoas de outras culturas”. A mãe também lamentou que a companhia aérea “prefira manter valores antiquados que envergonham os corpos das mulheres” e pediu para que outras mães não voem com a KLM se pretendem amamentar seus filhos durante a viagem. 


Em entrevista à BBC, a KLM disse que queria apenas “manter a paz a bordo” de seus voos. “Claro que amamentar é permitido a bordo de aeronaves da empresa. No entanto, nem todos os passageiros se sentem confortáveis com mães amamentando próximo a eles e, às vezes, alguns reclamam com a equipe da cabine”. 

“Para manter a paz a bordo, em tais casos, tentaremos encontrar uma solução que seja aceitável para todos e que mostre respeito à comodidade e ao espaço pessoal de todos. Isto pode incluir pedir a uma mãe que cubra seu peito”, acrescentou o porta-voz.

No Brasil

A reportagem entrou em contato com a KLM do Brasil, que se posicionou de forma diferente à aeromoça do voo de Shelby e do porta-voz que publicou a política da empresa no Twitter. “Nosso objetivo é fazer com que todos se sintam bem-vindos e confortáveis ​​a bordo. Claro que as mães podem amamentar seus filhos durante nossos voos. De modo algum a mãe é obrigada a encobrir a si mesma ou a seu filho”.

“E nós absolutamente não queremos que as mães dos nossos passageiros mais jovens se sintam julgadas sobre a coisa mais natural do mundo. É por isso que a nossa tripulação de cabine pode sugerir a mãe a opção para garantir alguma privacidade ao alimentar o seu filho”, diz a nota.

(Foto: Getty Images)

 O que diz a lei?

O Ministério da Educação assegura, desde maio de 2018, o direito à amamentação nas escolas, universidades e outras instituições federais de ensino, independentemente da existência de espaços para o aleitamento materno. Mas não existe ainda uma lei federal que regulamente o direito das mães de amamentar em qualquer local público ou privado sem sofrer impedimento ou constrangimentos.

O que existe é um projeto de lei, em trâmite no Câmara dos Deputados (PLS 514/2015), que garante o direito à amamentação em público em todo o Brasil, transformando em crime a sua violação. Em alguns estados, existem leis que garantem o direito das mães amamentarem seus filhos em locais públicos. Em São Paulo,  a lei 16.047 assegura à criança o direito ao aleitamento materno nos estabelecimentos de uso coletivo, públicos ou privados. Além disso, há uma lei municipal que multa multa e estabelecimento se o proprietário impedir o aleitamento materno de um bebê.

Esse é um direito que as mulheres estão conquistando aos poucos em todo o Brasil. A Pais&Filhos acredita que qualquer lugar é lugar para uma mãe amamentar seu filho, desde que a mulher se sinta segura e confortável para alimentar o bebê. Amamentar vai além de apenas dar o leite e alimentar o bebê. É um ato de amor, proteção e carinho, que faz toda diferença no desenvolvimento da criança ao longo da vida.

E nós acreditamos que a experiência de aleitamento precisa ser boa para a mãe e para o filho. A amamentação é um ato natural entre mãe e filho, que não deveria ser proibido ou julgado em nenhuma situação ou lugar.

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