Bebês

Fralda, pra que te quero?

É possível dar adeus à fralda sem traumas e complicações. O mais importante é esperar a hora certa, sem forçar a barra

Redação Pais&Filhos

Redação Pais&Filhos

A vida com o bebê é marcada por aprendizados e transições. Do peito para a mamadeira, do colo para o chão, da fralda para o penico. Quando a gente começa a se acostumar, já é hora de mudar para um novo hábito. O desfralde, aí, pode parecer um bicho de sete cabeças. Principlmente porque o proceso não acontece de uma hora para outra e é preciso paciência para pequenos “deslizes”. Mas calma, a vida vai ficar melhor depois que seu filho lrgar as fraldas.

A idade para isso varia de criança para criança, mas é posível começar o treino por volta dos 18 meses, quando ela já consegue controlar o esfíncter da bexiga – músculo que segura a urina. Para saber se eu filho está pronto ou não, é importante perceber alguns sinais. “Quando a criança se demonstra incomodada com a fralda e até chega a retirá-la ou avisa o que fez, é o momento do desfralde. Momento de ver como ela se comporta ao observar os horários do xixi e do cocô”, explica Ana Lucia Goulart, filha de Emília e Decio, vice-chefe do departamento de Pediatria da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

A partir dos 2 anos, ainda que não haja esses sinais, você pode dar aquela ajudinha e incentivar o desfralde. Isso porque, nessa idade, ela já tem certa autonomia, consegue expressar suas necessidades, anda com firmeza e está adaptada às rotinas escolar e familiar. Cada crianã tem um ritmo, e a observação é a palavra de ordem nesse momento.

É preciso preparar a criança para essa transição e falar do asunto. “Conte que ela não usará mais fralda durante o dia, então presenteia ou escolha com ela cuecas ou calcinhas”, sugere a psicóloga clínica e educacional Cristiane Rayes Martins, mãe de Mariana e Vitor. A estratégia funcionou com Lívia Pontes, que deixou de usar fralda aos 2 anos e 2 semanas. Com 1 ano e 8 meses, ela já reclamava que a fralda machucava. “Eu já tinha c omprado algumas calcinhas de princesas e ela pedia para usá-las. Então eu colocava em cima da fralda”, conta Eliane Oliveira Pontes, mãe de Lívia. O desfralde só não aconteceu nessa época porque a família estava mudando de casa e a rotina estava fora do normal. “Ela não queria ir para o apartamento novo. Além disso, eu tinha ido viajar a trabalho e ela não queria mais ir para a escolinha, com medo de ficar sem mim”, fala Eliane.

O desfralde deve acontecer com tranquilidade, apoio da família toda e sem contradições. Pensando nisso, Regina Hirama também esperou o melhor momento com o Fernando, aos 2 anos e 4 meses. “Aproveitei as férias. Voltamos de viagem e começams a desfraldá-lo. Foi um período em que a gente ficou em casa, sem passear, para acostumá-lo. O xixi vazou apenas nos três primeiros dias.”

Ela achou que seria mais complicado, por causa da experiência que teve com a filha Isabela, de 5 anos. “Fiquei bem angustiada. O desfralde começou na escola e não em casa. Não me lembro de ter feito um teste, como fizemos com o Fernando. A gente não acompanhou de perto.”

É importante ter em mente que seu filho passou dois anos da vida sem segurar xixi ou cocô, não é de uma hora para outra que isso vai mudar. Agora, ele precisará ter consciência de que suas necessidades têm lugar certo e de que, de vez em quando, terá de segurar um pouco a vontade. Esteja preparado para calçar, cuecas ou calcinhas molhadas por alguns dias – e sem sair dando bronca por isso! É necesário, ainda, envolver todos os profissionais que lidam direta ou indiretamente com a criança para que eles estejam orientados sobre o assunto – principalmente a escola.

Noites secas

Já a fralda noturna é outra história. Essa parte do desfralde acontece por volta dos seis meses depois do controle do xixi durante o dia. Mas pode ser o caso de esperar mais um pouco, até os 3 anos, como recomenda a pediatra Ana Lucia. Uma boa medida é checar a fralda logo de manhã: se estiver seca todos os dias durante uma semana, é sinal de que a criança está aprovada no teste.

Aí, antes de colocar o plano em prática, comunique o seu filho de que ele estará sem fralda. Leve-o ao banheiro antes de ir pra cama e diminua a quantidade de água que ele toma à noite.

Algumas crianças acordam no meio da noite para fazer xixi, outras não. Mas a ideia é que não precise acordar de madrugada para ir ao banheiro. Até porque você precisa dormir – lembre-se: a fase das noites de sono maldormidas por causa do bebê já passou.

Voltando  atrás

Motivada pela mudança de seu filho do berçário para o minimaternal, Michele Dias, mãe do Juan, decidiu iniciar o desfralde com 1 ano e 10 meses. “Eu comprei o adaptador de vaso e cuecas. A ideia era aproveitar o verão para o desfralde. Avisei a escola que havia começado a tirar a fralda. E lá, de meia em meia hora, a turma ia ao banheiro e ele não fazia nada.”

Michele percebeu que se antecipou no desfralde do Juan e que ele não estava nem perto de estar preparado para isso. “E mesmo hoje, pasados quase três meses, ele ainda não está preparado. Não sabe a diferença entre cocô e xixi. Não se incomoda quando faz.” Em casos como o de Juan, dá para usar a fralda de novo, sem traumas. Mas, aí, é preciso explicar para a criança que não era o momento.

Algumas situações podem desmotivar o desfralde, como resistência muito grande da criança, regressão, desfralde antes do tempo, mudanças excessivas de comportamento e prisão de ventre. Por isso, o melhor é observar a personalidade do seu filho e respeitá-la. “É muito importante que a família saiba lidar com as frustrações para auxiliar a criança e que não façam comparações com outras crianças”, diz a psicóloga Cristiane.

Etapas do desfralde

Tudo começa com o desfralde diurno. Conte à criança que não usará mais fralda durante o dia. Procure fazer isso num momento tranquilo, num final de semana ou férias sem muitas atividades extras, onde a criança possa estar em seu ambiente. Nas primeiras semanas, convide seu filho para fazer xixi, pois, se perguntar, provavelmente ele responder&