Bebês

Homem trans dá à luz em São Paulo e esposa conta detalhes do parto

Antonella nasceu para aumentar a família de Frank e Taris

Nathalia Lopes

Nathalia Lopes ,Filha de Márcia e Toninho

(Foto: reprodução/Imagem: Iwi Onodera/UOL)

Ter filhos e ver a família crescendo é um sonho para grande parte dos casais, mas infelizmente algumas mulheres encontram certa dificuldade para engravidar e outras opções precisam ser acionadas. Tem gente que procura pela adoção e algumas pessoas pessoas acabam optando por fazer um tratamento.

Mas um casal de Itapira achou uma solução diferente e quem engravidou pela esposa, foi o marido. Isso mesmo, Frank Teixeira é um homem trans e depois Taris fez 11 fertilizações que não deram certo, ele decidiu usar o útero que ainda não havia sido retirado. Ele engravidou e agora o bebê nasceu, deixando toda a família e cidade encantados com a notícia.

Antonella nasceu na última quinta-feira, 12 de setembro, e Taris contou para o portal Universa da Uol como foi participar do parto do marido. “Eu participei do parto, cortei o cordão umbilical da Antonella e foi tudo maravilhosamente bem. Agora, eu vim para casa cuidar dos cachorros e dar uma arrumada, o Frank está no hospital com a mãe dele. Acredito que amanhã a gente tem alta”, comentou.

O parto 

Frank passou por uma cesárea em Itapira mesmo e Antonella nasceu com 48 cm e 3,450 kg, na Santa Casa de Misericórdia. Segundo a Universa, tanto o pai e quanto a bebê estão bem. O casal ainda afirmou que enquanto Frank não tiver acesso ao nome social dele, a menina terá o nome de duas mulheres na certidão de nascimento.

Essa é a Antonella (Foto: Arquivo Pessoal/Reprodução Universa)

Amamentação dupla

Como Frank ficou com os hormônios femininos a flor da pele durante a gestação, ele conseguirá a amamentar a filha, assim como Taris. A única diferença é que a mulher precisará passar por um tratamento hormonal para iniciar a produção de leite.

O casal tinha o desejo de ter filhos desde novos (Foto: reprodução/ Imagem: Iwi Onodera/UOL)

A gravidez 

Os dois se conheceram na academia na época em que Frank ainda se identificava com o gênero feminino. Taris nunca tinha se relacionado com uma mulher, mas ela sentiu um interesse “sem explicação” e eles começaram a sair.

Foram dois anos até Frank passar pela transição de gênero. Ele iniciou o tratamento, mas decidiu parar por medo da cirurgia. Tudo foi muito bem aceito por Taris, que contou a UOL ter como única preocupação a saúde dele, por conta dos hormônios.

Nesse momento, o desejo da maternidade voltou com tudo e eles decidiram ir em busca da adoção. Com medo de não ter estrutura emocional com a chance da criança querer conhecer os pais biológicos, desistiram e foram atrás da reprodução assistida.

Frank começou pesquisando sobre inseminação caseira, mas o processo foi bastante dolorido para a mulher. Foram 11 tentativas realizadas em um período de 4 meses. Devido a dor e desgaste, ela não quis seguir adiante. Foi nesse momento que ele decidiu repetir o processo em si mesmo.

Bastou uma tentativa e Frank engravidou. “Fiquei sem reação e preocupada com o psicólogo dele. Mas o Frank justificou que queria realizar o nosso maior sonho, e só isso importava. Chorei, nos abraçamos e fomos fazer os exames, porque ele só me contou depois de três semanas”, lembra Taris a UOL.

Nesses últimos meses, Frank contou que não se sente confortável com o corpo e por isso prefere ficar em casa. Tanto no trabalho quanto no ambiente familiar, a notícia foi muito bem aceita. A filha, já com nome definido Antonella, deverá nascer em 19 de setembro.

A cidade de Itapira, em São Paulo, onde a família mora aguarda ansiosamente a chegada da bebê. “Um monte de gente nos procura para saber como fizemos, querendo orientações”, disse Taris.

Esse é o quarto de Antonela (Foto: reprodução/ Imagem: Iwi Onodera/UOL)

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