Bebês

Mãe toma susto ao ver ‘sombra estranha’ no ultrassom: “É um anjo da guarda”

Ela havia sido diagnosticada com endometriose e não poderia ter filhos

Cinthia Jardim

Cinthia Jardim ,filha de Luzinete e Marco

Ela se surpreendeu no ultrassom de 12 semanas (Foto: reprodução / Getty Images)

Britainy Clark e James Grouvel, ambos com 24 anos, ficaram arrasados quando os médicos disseram que o casal não poderia ter filhos. A mulher foi diagnosticada com endometriose, um problema que faz os tecidos semelhantes ao do revestimento do útero crescerem em outros lugares como, por exemplo, nas trompas de falópio ou ovários.

Depois de receberem o diagnóstico, James, mesmo assim, insistiu para que a esposa realizasse um teste de gravidez. O casal ficou emocionado ao descobrir que estariam esperando um bebê. No ultrassom de 12 semanas, mais uma surpresa chegou para a família. Uma “sombra estranha” apareceu no exame, e Britainy tirou uma foto para mandar imediatamente para a mãe e a tia em um grupo. “Achei que havia algo de errado”, contou ao The Mirror.

Ela mandou a foto imediatamente para a mãe e a tia (Foto: reprodução / The Sun)

“Ambas disseram que havia um rosto e uma mão apontando para o bebê. Minha tia disse que há um anjo da guarda olhando por cima [da criança], o que eu achei muito fofo”. Britainy disse que a mãe acredita ser um bom sinal depois de toda a dificuldade que o casal enfrentou.

Endometriose

A falta de informações em torno da doença dificulta o diagnóstico correto (Foto: Getty Images)

Cerca de 7 milhões de mulheres são afetadas pela endometriose no país. A doença é caracterizada pelo crescimento anormal do endométrio — o tecido que reveste o interior do útero — para fora do órgão.

Com certeza você já teve ou conheceu alguém que tem endometriose. Mas a falta de informações em torno da doença, não só das mulheres, mas também de especialistas, dificulta o diagnóstico correto. Cerca de 15% das brasileiras sofrem com a endometriose, mas a maioria delas precisou consultar pelo menos três médicos, em um período de 5 a 8 anos, para finalmente receber o diagnóstico. “Embora a doença já desperte o interesse para pesquisas, a endometriose ainda não é compreendida no mundo e seu conhecimento é muito recente”, explica o ginecologista e obstetra Marcos Tcherniakovsky, especialista em endometriose e pai de Isabela e Daniel.

Responsável por 50% dos casos de infertilidade feminina, a endometriose acomete entre 9 a 13% das mulheres no mundo todo e pode atingir outros órgãos da pelve, como trompas, ovários, intestino e bexiga. Por isso, entender mais sobre o problema é importante para que o tratamento se torne mais efetivo. Segundo o ginecologista Waldir Inácio Jr., especialista no assunto, hoje já se sabe, por exemplo, que o problema não é decorrente do fluxo menstrual. “A mulher nasce com endometriose. Por isso, irmãs têm mais chance de ter. E já se estudaram natimortos do sexo feminino que tinham endometriose”, afirma.

“O endométrio não deve se expandir para outros órgãos. Quando isso se dá, causa uma reação inflamatória que pode ser discreta ou de forte intensidade. A partir daí, a mulher começa a sentir os sintomas da endometriose” explica Dr. Marcos. Segundo o especialista, a endometriose é conhecida como a doença da mulher moderna. “Por conciliar várias funções diárias, como ser profissional, mãe e parceira, a mulher acaba ficando mais estressada e com a imunidade baixa. Então, se torna mais receptiva à endometriose, que tem um componente imunológico e genético. Fora isso existe o fator hereditário. Hoje se sabe que filhas de mães que já tiveram endometriose são mais propensas. E por fim existe a causa genética”, ressalta o médico.

Posso engravidar?

Diminuir a menstruação é uma boa forma de controlar a endometriose (Foto: iStock)

A endometriose pode, sim, causar infertilidade. Mas não necessariamente: tudo depende de quando a doença foi descoberta e de sua gravidade. Vale lembrar que infertilidade não significa esterilidade. “Os casos mais graves de endometriose têm uma complexidade maior. Mas seu diagnóstico não é uma sentença para esquecer a maternidade, mas outro fator a ser acompanhado com muita atenção na hora de avaliar o melhor tratamento”, explica Marcos.

Prova disso é a gravidez da analista de sistemas Cristiane Mauerwerk Simão, mãe de Lucas e Murilo e casada com Eduardo Simão. Perto dos 40 anos e em meio às tentativas para engravidar, ela descobriu que estava com endometriose. “Por não conseguir determinar o grau, o médico pediu para que eu fizesse uma videolaparoscopia, um procedimento que limparia os focos. Procurei um ginecologista e fiz alguns exames clínicos necessários para a cirurgia e uma avaliação cardiológica para saber se estava tudo bem”, conta.

“Quando estava tudo pronto para a internação, retornei no médico e comentei que minha menstruação estava atrasada, mas como tenho ovários micropolicísticos, meu ciclo nunca foi regular. Ele me pediu um exame de sangue Beta HCG com urgência para descartarmos as chances de engravidar, já que faria a cirurgia na próxima semana. No exame, surpresa. Estava grávida de cinco semanas. Foi uma alegria”, relata Cristiane.

Para ela, foi uma realização engravidar naturalmente, sem precisar fazer inseminação. “Tive que tomar alguns cuidados até completar 16 semanas, mas tive uma gestação ótima. O Lucas nasceu perfeito e, quando ele completou um ano, decidi engravidar novamente. Depois de quatro meses de tentativas, fiquei grávida naturalmente também do Murilo”, lembra.

Como acontece?

Ainda não se conhece exatamente a causa da endometriose, mas ela depende de fatores imunológicos, genéticos e hormonais, então fique atenta aos sintomas e converse com seu médico. “É um fenômeno que ocorre quando o tecido endometrial sai pelas tubas e vai parar dentro da pelve, podendo se alocar no ovário, embaixo do útero ou em outro local da região da pélvis. Quando esse tecido começa a sangrar durante o período menstrual, o corpo reage como se fosse uma inflamação”, explica Dr. Marcos.

A endometriose pode ser diagnosticada logo na adolescência (Foto: Getty Images)

Como é feito o diagnóstico?

Na maioria dos casos de endometriose, o diagnóstico é tardio. Muitas mulheres acabam descobrindo a doença durante as tentativas para engravidar ou depois de sofrer muitas dores por cólicas. Mas a endometriose pode ser diagnosticada logo na adolescência, se a informação dos sintomas forem cada vez mais conhecidas pelos especialistas e pacientes. Agendar a primeira consulta com um ginecologista a partir da primeira menstruação, mesmo que a menina não tenha iniciado uma vida sexual é o primeiro passo para uma melhor prevenção e tratamento.

Para o diagnóstico, existem exames de ultrassom e de sangue, mas também é necessário prestar atenção nos sintomas que indicam a existência da endometriose:

– Dor aguda ao menstruar: cólicas muito fortes, que impedem ou prejudicam as atividades do dia a dia.

– Dificuldade para engravidar: se você está tentando há mais de um ano e não consegue, pode ser um sinal de endometriose.

– Dor durante a relação sexual: esse é um momento onde dores não devem existir, se você sente desconforto, procure o médico.

Como é feito o tratamento?

Segundo Dr. Marcos, diminuir a menstruação de alguma forma é uma boa maneira, já que cerca de 15% de todas as mulheres que menstruam têm endometriose. Além disso, praticar atividades físicas e evitar estresse no dia a dia também são fatores que ajudam.

Mas nos últimos anos, vem acontecendo uma mudança de paradigma em relação à terapia com hormônios. “Além de não tratar efetivamente a doença, traz efeitos colaterais, como aumento de peso, diminuição da libido e alteração do humor. O tratamento mais inovador hoje é a cirurgia laparoscópica avançada, na qual eliminam-se todos os focos de endometriose. Quando retirada de forma completa, a endometriose não volta e não há mais necessidade de tomar qualquer medicamento”, explica Dr. Waldir.

Os especialistas reforçam que não existe uma regra geral que possa ser feita para todos. Cada caso tem de ser individualizado.

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