Prematura de 750g é o menor bebê do Brasil a fazer cateterismo

Rebeca nasceu com um problema congênito no coração de apenas 27 semanas

Resumo da Notícia

  • Prematura é o menor bebê do Brasil a fazer cateterismo;
  • Rebeca nasceu com um problema congênito no coração de apenas 27 semanas;
  • O tratamento padrão para a doença congênita da bebê não reagiu ao organismo prematuro, e por isso, veio a ideia do cateterismo.

Uma bebê prematura, pesando pouco mais de 750 gramas, foi a primeira recém-nascida no Brasil a realizar um cateterismo cardíaco. O procedimento foi realizado na última sexta-feira, 12 de fevereiro, no Hospital e Maternidade São Luiz Anália Franco, em São Paulo.

-Publicidade-

Rebeca nasceu de 27 semanas, sendo considerada uma prematura extrema, por ter nascido antes da 28ª semana de gestação ou sétimo mês. Pouco dias após o nascimento, a recém-nascida foi diagnosticada com PCA (Persistência do Canal Arterial), que é presença de um canal que, quando deveria estar fechado, permanece aberto.

Enquanto o bebê está na barriga da mãe, o canal arterial faz uma ponte que conecta a aorta (a maior artéria do corpo humano) à artéria pulmonar, responsável por levar sangue ao pulmão. No entanto, esse canal deve se fechar ao longo das primeiras 48 horas após o nascimento, com a expansão dos pulmões.

Rebeca chegou a realizar o tratamento padrão para o PCA, no entanto, o organismo da bebê não responde aos medicamentos
Rebeca chegou a realizar o tratamento padrão para o PCA, no entanto, o organismo da bebê não responde aos medicamentos (Foto: Arquivo pessoal)

O canal alterial de Rebeca, porém, não se fechou e o resultado é que os pulmões continuam recebendo sangue, podendo ficar sobrecarregados, enquanto os outros órgãos recebem um fluxo sanguíneo reduzido.

Larissa e Klemilson, pais da menina, adotaram a estratégia comum aplicada em recém-nascidos: receber medicamentos para induzir o fechamento. Mas a bebê não reagiu de forma consistente ao tratamento e seu caso continuou a se agravar. Angustiados, os médicos vieram com o plano B: inserir um cateterismo cardiáco em Rebeca.

A operação

Embora outras crianças maiores e alguns bebês com menos de 1 kg já tivessem passado por um cateterismo cardíaco no Brasil, nenhum deles era tão pequeno quanto Rebeca. A equipe médica responsável pelo tratamento da bebê conversou com o VivaBem contando detalhes da operação.

O médico responsável pela operação, Marcelo Ribeiro, especializado em cardiologia intervencionista em cardiopatias congênitas, que há dez anos trata problemas no coração de bebês e crianças, suou com o nervosismo durante o procedimento inédito e totalmente complexo.

“Era um canal muito grande num bebê muito pequeno, o que também deixou a gente apreensivo. Mas precisávamos fazer alguma coisa, porque ela provavelmente não iria resistir por muito mais tempo”, avalia o cardiologista intervencionista.

Aprovada recentemente no Brasil, prótese Piccolo foi desenvolvida para bebês a partir de 700 gramas
Aprovada recentemente no Brasil, prótese Piccolo foi desenvolvida para bebês a partir de 700 gramas (Foto: Arquivo pessoal)

O futuro de Rebeca

A revisão da prótese será feita nos primeiros meses e exames de ecocardiograma nos próximos dois anos. Segundo os médicos, o procedimento cardíaco foi crucial não só para salvar a vida da criança, como acelerar sua saída do hospital.

A lista de especialistas que ela terá de passar ao longo dos anos, indo de nefrologista à fisioterapeuta. Poder estar com a filha nos braços após mais de quatro meses de internação, porém, é o que dá força aos pais.

“Sentar no sofá e colocar ela no colo, amamentar e ver todo o processo de crescimento dela de perto tem sido muito especial. Ela é um milagre de Deus”, completa Larissa.

Larissa e a filha Rebeca, após o procedimento cirúrgico
Larissa e a filha Rebeca, após o procedimento cirúrgico (Foto: Arquivo pessoal)