Relato de mãe: “A maternidade é um mergulho em um oceano de novidades”

Nathália Duarte, mãe de Leonardo e Enrico, abriu o coração sobre o assunto e incentivou outras mães a buscarem o autoconhecimento, além de falar sobre as experiências do pós-parto

Resumo da Notícia

  • Nathália Duarte é mãe de Leonardo e Enrico
  • Em uma entrevista exclusiva, a mãe falou sobre as dificuldades e como enxerga a maternidade
  • Jornalista, autora e doula, ela ajuda outras mães na jornada do autoconhecimento
  • Com o blog "Cartas a Leo e Rico", ela também escreve cartas para os meninos lerem no futuro
Nathália, mãe de Leonardo e Enrico, abriu o coração (Foto: Arquivo Pessoal)

O primeiro sorriso, a emoção do parto e todo o amor. Sabemos que apesar de muito gratificante, nem tudo é fácil e em um relato inspirador, conversamos com a jornalista, doula e autora do blog “Cartas a Leo e Rico”, Nathália Duarte, que é mãe de Leonardo, de quatro anos, e de Enrico, de apenas oito meses, sobre as dificuldades da maternidade.

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Após o nascimento dos filhos, ela contou que passou por algumas turbulências ao tentar se encontrar e também sofreu com o cansaço excessivo, pois ainda tudo era desconhecido: “Acho que a grande dificuldade depois do nascimento de um filho é a gente se encontrar, se reconhecer em nossos novos papéis, sem necessariamente abandonar os gostos e hábitos que nos faziam sentir pertencentes ao nosso meio. Os primeiros dias com um bebê em casa são muito demandantes. Pelo cansaço, mas principalmente porque todo o desconhecido – ou seja, tudo… porque tudo é desconhecido – é desafiador. O sono é desafiador, a amamentação é muito desafiadora, o choro do bebê é desafiador, o nosso choro é desafiador, e principalmente a comunicação (ou não comunicação) com esse bebê e com quem está por perto é desafiadora. A maternidade é um mergulho em um oceano de novidades”, explicou.

Sobre pedir ajuda, que foi tema do nosso 8º Seminário Internacional Pais&Filhos, Nathália contou que falta muito apoio da sociedade para as mães: “acho que ainda falta olhar de verdade para as mães recém-nascidas, acolhê-las em suas dores nessa travessia tão intensa de transformação e tentar dar a ela um suporte verdadeiro para que ela consiga manter-se inteira e com seu bebê em seus braços, amamentando. É comum recebermos visitas que querem pegar o bebê no colo, por exemplo. Mas é raro ter alguém que pergunte a essa mulher como ela se sente, que vá buscar uma água enquanto ela dá de mamar, que lave a louça que está na pia, que traga uma comida caseira congelada, ou que presenteie essa mulher. É urgente entender que o bebê só precisa de sua mãe”.

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Ela contou que soube ver o lado positivo da maternidade e inspirou outras mães (Foto: Arquivo Pessoal)

Nos primeiros dias do pós-parto da jornalista, a família sempre se mostrou muito disponível, mas ela escolheu ter mais tempo com o bebê e com o marido, porque o momento seria essencial para que eles pudessem se conhecer melhor. “Nos meus dois puerpérios tive pais, sogros e irmãos bastantes disponíveis, mas preferi ficar reclusa nos primeiros dias, com meu marido e meu bebê, para que pudéssemos nos conhecer. Esse “isolamento”, claro, gerou críticas. No começo os parentes não entendiam a decisão, mas foi fundamental pra nossa formação como nova família”.

Sobre os dois lados da maternidade, Nathália contou que sempre soube ver o positivo e descobriu um mar de autoconhecimento nessa fase. “Mesmo nos dias difíceis – que ainda existem – eu sinto que me descobri na maternidade. É uma jornada muito intensa de autoconhecimento e ser mãe do Leo e do Enrico, de verdade, me trouxe muitos ganhos. Houve perdas, há perdas, muitas também, mas são mudanças que fazem parte do caminho. Eu acredito que nada na vida é só bom ou só ruim. Os sentimentos, as relações são complexas demais pra gente categorizar assim, então sempre foi muito natural pra mim escrever sobre qualquer aspecto da maternidade, sem pensar se é bom ou ruim”, contou.

Além de autora e jornalista, Nathália também é doula (Foto: Gabriela Valença)

Sobre o blog, a mãe contou que de início escrevia para desabafar sobre o turbilhão de coisas que estava sentindo, mas depois, em forma de cartas, Nathália pensou que um dia os filhos pudessem ler quando ficassem mais velhos. Com isso, as amigas da jornalista, que também estavam grávidas, começaram a tirar dúvidas sobre o assunto. “Senti que era quase uma “missão” contar que o puerpério era punk, que estava tudo bem se sentir perdida, chorar… E comecei a ser procurada por elas em seus momentos de renascimento. Tentei ser o colo, a amiga que chegava com o bolo quentinho e marmitas congeladas… E aos poucos o blog virou esse lugar que acalanto pra outras mulheres, e foi se transformando junto comigo, naturalmente. Não sei se ele diz que vai dar tudo certo no final. Acho que os relatos no fundo dizem apenas: ‘respira… se não der certo, tudo bem também!'”

Como conselho para as mães, Nathália fala sobre a importância de permitir-se conhecer através do bebê. “Escute seu corpo, seus instintos. Na dúvida sobre o que fazer, feche os olhos de verdade, respire fundo e tente se ouvir. Ninguém conhece melhor um bebê do que sua mãe.”

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