Bebês

Começa amanhã festival gratuito com teatro para bebês

Quem já levou o bebê ao teatro sabe que a experiência surpreende; evento terá peças de diversos países em SP e no ABC

Redação Pais&Filhos

Redação Pais&Filhos

Já pensou em levar seu bebê ao teatro? Não, não é um novo espetáculo que permite às mães entrarem acompanhadas dos filhos. São montagens criadas especialmente para crianças de três meses a 4 anos e quem já passou pela experiência sabe que ela é inesquecível, tanto para os bebês como para os pais. Entre os dias 23 de agosto a 16 de setembro, o Grupo Sobrevento realiza o 2º Festival Internacional de Teatro para Bebês em alguns CEUs (Centro Educacionais Unificados) de São Paulo e no Centro Livre de Artes Cênicas de São Bernardo, sempre com entrada gratuita. Serão encenadas peças de companhias do Brasil, Espanha, Canadá e Dinamarca. Conversamos com Luiz André Cherubini, pai de Laura e Lourenço, diretor do Grupo Sobrevento, companhia que atua desde os anos 80 e é reconhecida mundialmente por seu trabalho com teatro de bonecos. Na entrevista, ele detalha as peculiaridades de se fazer teatro para crianças tão pequenas e rebate críticas.

Veja a programação completa aqui

Quando surgiu o teatro para bebês e como está a produção atual?

O Teatro para Bebês surge no final dos anos 1970 e, desde então, vem conquistando espaço na programação cultural das cidades mais avançadas do mundo. Há muitos grupos que se dedicam exclusivamente para bebês, mas o fato curioso é que, normalmente, são criados por artistas maduros oriundos de diferentes áreas que, de uma hora para outra, decidem dirigir suas criações à primeira infância. São artistas plásticos premiados, compositores renomados, músicos, poetas, dramaturgos, coreógrafos e dançarinos, tecnólogos, diretores e atores de teatro conhecidos que terminam, assim, por criar espetáculos sempre surpreendentes e muito diferentes entre si.

Há muitos formatos diferentes de encenação?

Os espetáculos para bebês costumam dirigir-se a um público de seis meses a três anos, mas cada espetáculo tem suas regras, seu formato e sua capacidade. Alguns espetáculos são interativos, outros não; alguns se parecem a uma instalação, outros a uma peça de teatro, outros a um concerto, outros a um jogo de computador, outros a um filme de cinema… os espaços cênicos também variam muito, mas costumam fugir de um espaço teatral convencional, à italiana.

Qual importância essa experiência pode ter para o bebê? E para os pais?

O Teatro para Bebês garante o direito de todo ser humano à cultura e ao convívio social – direito inalienável a qualquer idade. Partimos da ideia de que as capacidades poética, sensível e de comunicação são inatas a todo ser humano. Promove o encontro entre bebês e entre pais de bebês, tirando-os de um resguardo imposto pelo medo de causar incômodos aos demais… Integra o bebê à sociedade, estimula suas capacidades poéticas, sensoriais, sensíveis, motoras, instiga os artistas a novos desafios, provocando-os e desmontando os muitos truques aprendidos ao longo de uma carreira e que não servem de nada frente aos bebês. Insta os espectadores a repensar o lugar dos bebês na sociedade, desmonta preconceitos. Atrai e envolve emocionalmente os bebês, construindo um silêncio e um novo olhar em todos os que presenciam aquele encontro artístico. Provoca o criador e os espectadores à Arte e não ao entretenimento, rompendo expectativas pobres e preconceituosas. E muito mais…

E para quem faz teatro, qual o valor dessa experiência?

O Teatro para Bebês lembra ao Teatro aquilo que ele já foi e deixou de ser, aquilo que ele poderia ter sido e nunca foi, aquilo que queria e deveria ser. Aponta caminhos, cria a dúvida onde vigoram tantas certezas empobrecedoras. Não quer agradar, mas provocar. Não quer atender, mas surpreender. O Teatro para Bebês é, antes de mais nada, um encontro… E, para isto, lembra ao o sagrado e humilde de seu ofício, fazendo do Teatro um lugar mais para aprender e não para ensinar.

Há pessoas que fazem críticas ou até ironias sobre esse tipo de arte…

Conheço as críticas. São fruto de preconceito e de cinismo. As críticas nunca vêm de pais de bebês ou de professores ligados à primeira infância. É que as creches na maioria das cidades do mundo – felizmente não em São Paulo, nem em São Bernardo – estão ligadas à Assistência Social, não à Educação. Nós, artistas, estamos acostumados ao preconceito e continuamos tentando mudar o mundo.

O teatro para bebês deve ser levado menos a sério do que o infantil…

O teatro para crianças em geral costuma ser entendido como entretenimento, não como arte. Nos shoppings, mães deixam seus filhos com babás para assistir a um espetáculo teatral, enquanto fazem compras e passeiam. Que teatro é este que se pode fazer para crianças acompanhadas de cuidadoras? O teatro muitas vezes é tomado como um estacionamento de crianças e os artistas como guardadores de carros. Nos clubes, o artista se coloca, muitas vezes, na função de servidor. O artista não pode se conformar com isto. Arte para crianças não é recreação. E os bebês – como as crianças, como qualquer ser humano – precisam ser respeitados: não são seres humanos em formação, não são inválidos; são indivíduos plenos desde que nascem. Têm direito ao convívio social, à Cultura, à comunhão com outros seres humanos. Não podem ser afastados da sociedade até que comprem, até que trabalhem, até que controlem as suas necessidades fisiológicas, até que saibam se comportar de certa maneira e não incomodar os outros – ou seja lá o que se estabeleça como a sua admissão na sociedade.

Mas como são essas críticas, exatamente?

A maioria das críticas que ouvimos aproxima-se da seguinte ideia: ‘Daqui a pouco vai