Teste do Pezinho é ampliado no SUS: exame poderá identificar até 50 doenças

O projeto do Teste do Pezinho Ampliado, que teve origem na Câmara dos Deputados, poderá identificar mais doenças. O prazo de implementação na rede pública é de até um ano

Resumo da Notícia

  • O Teste do Pezinho Ampliado terá até um ano para entrar em vigor
  • Agora, será possível detectar até 50 tipos diferentes de doenças pelo Teste do Pezinho no Sistema Único de Saúde (SUS)
  • Anteriormente, apenas seis doenças eram detectadas pelo exame feito em recém-nascidos

Na quarta-feira, 26 de maio, foi sancionado o projeto de lei 5043/2020, que amplia o número de doenças identificáveis pelo teste do pezinho em recém-nascidos, realizados pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A PL do deputado Dagoberto Nogueira teve origem na Câmara dos Deputados.

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Foi estabelecido que será possível identificar 50 doenças diferentes, quando antes apenas seis eram testadas, segundo Marcelo Queiroga, Ministro da Saúde. Será possível identificar: atrofia muscular espinhal (AME), doenças relacionadas a imunodeficiências, hipotireoidismo congênito, anemia falciforme, fibrose cística, entre outras.

Será destinado quase 1 bilhão para o investimento do Teste do Pezinho pelo SUS. A partir da aprovação desta lei, fica determinado também a integração ao Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). O SUS tem até um ano para implementar o teste do pezinho ampliado ao sistema, que também precisa estar integrado ao Diário Oficial da União, publicado pelo Ministério da Saúde.

“Segundo estimativas, as doenças raras atingem de 6% a 8% da população mundial. No Brasil, esse número significa por volta 14 milhões de pessoas. Setenta e cinco por cento dos casos se manifestam ainda na infância, ou seja, o diagnóstico é fundamental para salvar vidas”, explica o ministro.

O teste do pezinho ampliado pelo SUS poderá identificar 50 tipos diferentes de doenças (Foto: Shutterstock)

A partir da lei, devem ser criados projetos-piloto para monitorar e também implementar efetivamente o novo modelo do teste do pezinho ampliado pelo país. Vale lembrar que a lista de doenças deverá ser revisada periodicamente, sempre pautando evidências científicas e prioridade para aquelas que possuem maior prevalência no país.

Como funciona o exame?

Desde 1992, o Teste do Pezinho é obrigatório em todo o território nacional e, atualmente, está previsto no Programa Nacional de Triagem Neonatal, adotado pelo Ministério da Saúde em 2011. O exame é bem simples, pouco invasivo, rápido e praticamente indolor: tira-se algumas gotinhas de sangue do calcanhar do bebê, em uma parte com poucas terminações nervosas, entre seu terceiro e quinto dia de vida. Essas gotinhas vão permitir o diagnóstico de algumas doenças raras, sejam elas genéticas ou metabólicas, para tratá-las antes que elas possam gerar sequelas na criança. “O diagnóstico precoce facilita o tratamento e pode trazer mais qualidade de vida para as famílias”, explica Dra. Milen Mercaldo pediatra do Hospital Anchieta. Muitas das crianças não apresentam sintomas ao nascimento e podem aparecer mesmo sem casos na família.

No Brasil, existem três tipos diferentes de testes do pezinho, sendo eles um básico e dois ampliados. O mais simples é oferecido pelo SUS e identifica seis doenças diferentes. Há também a possibilidade de realizar o teste estendido, capaz de identificar de 40 a 50 patologias, porém ele está disponível apenas em clínicas, maternidade e hospitais particulares.

Caso o resultado do exame seja positivo para alguma das doenças, é preciso tirar a prova com um novo teste comprobatório. Mesmo assim, não é certeza que a criança irá desenvolver a complicação em questão. Nesses casos, é preciso repetir o teste e manter o acompanhamento de um pediatra, que deve ficar atento a qualquer manifestação clínica.