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5 dicas para lidar com a birra dos filhos na livraria

Birra na livraria? Acontece mais do que você imagina e o programa que deveria ser o máximo acaba se transformando em algo muito chato

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(Foto: iStock)

Adoro falar sobre o mundo ideal, onde os filhos são educados, comem de tudo e ainda por cima amam ler. Mas o mundo ideal não existe. Ou pelo menos não existe sempre, o tempo todo. Vez ou outra, até que todos nós somos perfeitos (por que não?!).

Mas, no mundo real, as crianças fazem manha, tem ataques de mau humor, crises de choro, não aguentam a frustração. E nós, pais, ficamos frustrados, com vontade de chorar, mau humorados… Mesmo quando se trata de um programa super bacana, como ida a uma livraria.

Por isso, tenho que confessar: meus filhos já fizeram muita birra em livraria. Dessas bem feias de se jogar no chão, ter que puxar pelo braço, agarrar no colo… E justo comigo, que sou uma mãe leitora! Quanta vergonha já passei nessa vida…

E sabe por que isso acontecia? Por que eles preferiam um brinquedo do que um livro. E quando convidava para ir até uma livraria, a ladainha já começava no carro:

– podemos ir antes à loja de brinquedo só para ver uma coisinha?

– meus legos estão com pecinhas faltando, posso comprar um novo?

– todo mundo tem aquele bonequinho, mesmo eu…

– ah, a gente vai naquela livraria que não tem brinquedo, só livro?!

Era inevitável. Quanto mi mi mi!

Mas, embora ficasse irritada e frustrada, sempre soube que a culpa não era dos meus filhos. É certo que as crianças nem sempre são fáceis. Algumas são mais manhosas do que as outras. Mas temos que analisar bem: o que realmente estava acontecendo?

Feche os olhos e imagine uma livraria. Uma livraria qualquer. Já reparou na quantidade de prateleiras com bichinhos de pelúcia, caderninhos lindos, canetinhas mega coloridas, caixas de jogos de montar enormes, livros que se transformam em brinquedos e dvds com a última animação da TV que temos que atravessar até chegarmos, finalmente, aos livros infantis?

Sim, a culpa era (e ainda é) das livrarias e nós é que temos que aprender a contornar a situação e ensinar aos nossos filhos, desde pequenos, a consumir com consciência. Viu? O problema é bem maior, não se trata apenas de manha de criança.

Demorou um tempo, mas com insistência, meus filhos acabaram compreendendo que o passeio à livraria é para encontrar a leitura. Às vezes saímos com um livro nas mãos, às vezes não. Mas sempre ficamos com a satisfação de ter visto aquelas capas coloridas, aquele cheiro de papel novo, aquele monte de ideias e sentimentos convertidos em palavras.

O ponto máximo desse longo investimento na formação leitora das crianças foi o dia em que meu filho caçula, o Fê, refletiu: “que bobagem isso de colocar lego na livraria mãe, só atrapalha a venda dos livros… e viu mãe, a livraria está sendo tão burra que nem viu que o lego está mais barato na loja de brinquedos…”. Desculpem pelo “burra”, mas é que foi assim mesmo. Neste dia recebi o meu diploma de “mãe leitora que ensinou seus filhos a gostar de ler”. Festejei!

Como quase tudo que envolve a educação dos filhos, tempo, insistência e paciência são ingredientes fundamentais. Bom, algumas dicas simples também podem ser úteis para você que quer ter filhos leitores em casa.

1 LIVRARIAS PEQUENAS X GRANDES REDES

Prefira as pequenas livrarias, com uma curadoria especial voltada para as crianças, do que as grandes livrarias, cheias de brinquedos. Mas se a livraria mais próxima for desse último tipo, não tem problema. Só considere que a chance do seu filho preferir um brinquedo e fazer uma birrinha será maior. Entenda que será uma boa oportunidade para ensinar seu filho a consumir com consciência.

2 DEIXE TUDO COMBINADO ANTES

Antes de sair de casa, combine previamente com as crianças que o objetivo do passeio é ler. Nada de brinquedo, caderno, canetinha, álbum de figurinha. Vale livro, revista, quadrinhos… Outro dia o passeio pode ser diferente, mas hoje não. E que combinado não pode ser “descombinado”, como dizia a minha Gabi.

3 NADA DE COMPENSAÇÕES

Se o seu filho não quiser um livro, não compre nada. Pode ser que ele fique frustrado e que você também ache frustrante. Mas não faça compensações, mesmo que aja um chororô: “a gente veio até aqui e não serviu para nada”. Isso é educar para o consumo, saber que quando não encontramos aquilo que queremos/precisamos comprar, não é preciso comprar nada. O que vale é o momento juntos e o passeio à livraria.

4 CURTA A LIVRARIA

Aproveite, então, o espaço da livraria para curtir os livros, conhecer os livreiros, saber dos lançamentos, apreciar as ilustrações. A formação de um leitor passa também pela apreciação. Aprendemos a amar os livros por que simplesmente gostamos dele enquanto objeto a ser tocado, sentido, percebido.

5 LEIA, SIMPLESMENTE LEIA

Na volta do passeio, quando chegar em casa, leia. Leia o livro que vocês adquiriram ou então outro que está por ali e merece ser revisitado. Assim, você estará reforçando para a criança a ideia de que livraria + livro = leitura, um momento intimista no qual simplesmente curtimos estar diante de um livro.

E para terminar, lembre-se de que birra de criança na livraria tem a ver com algo maior, gigantesco: a indústria de entretenimento e cultura voltada para as crianças.

Por detrás da manha do seu filho, tem Disney, Marvel, Discovery Kids, Lego e outras tantas empresas mais que nem sei citar. Nada contra. Amo tudo isso. Sou consumidora disso. Mas quando se trata da leitura e dos livros, o elo mais fraco do entretenimento infantil, a nossa guerra é grande. Insista, tenho certeza de que valerá a pena.

P.S. Este post é uma homenagem aos amigos livreiros que se dedicam a espalhar leitura nesse Brasil afora! Bora ler!

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