Aprenda a viver com menos culpa da maternidade: “O que é prioridade pra você?”

A culpa é um sinal de que você poderia estar fazendo escolhas melhores e não está

Que coisas tem ocupado a liderança de suas prioridades? (Foto: iStock)

Uma das metas que me propus este ano foi “escrever um livro”. Eu sabia que não seria fácil nem simples, mas cheguei em agosto frustrada porque não consegui me dedicar mais de 2 dias até agora para ele. A desculpa que me dou é que “não tive tempo”.

Tempo, aliás, é um elemento bastante escasso deste novo mundo, neste século XXI, né? Quem aí nunca desejou que o dia tivesse pelo menos umas 30 horas pra ver se, pelo menos assim, a gente conseguiria dar conta de tudo? Eu já. Mas agora estou tentando me acomodar de um jeito mais sutil a essa nova configuração. Obrigo-me a fazer com que meu dia caiba em 24h, com pelo menos 8h de sono e 4h de dedicação aos meus filhos.

  • Essas são minhas duas metas maiores na vida: descansar e dividir tempo de qualidade com as crianças.

Quando eu olho para o futuro eu tenho apenas uma certeza. A de que não me perdoarei se, ao olhar para trás, sentir que não vivi a infância dos meus filhos junto a eles. Você já imaginou a dor que deve sentir quem percebe um passado em branco e vazio? Desejar voltar atrás e não poder? Eu já. Sou saudosista e aprendi que a melhor forma de lidar com isso no futuro é viver bem o presente.

É claro que eu não escreverei livro nenhum antes de colocá-lo também na minha lista de prioridades. E o texto de hoje é tão somente para te provocar essa reflexão: que coisas tem ocupado a liderança de suas prioridades?

Escolher o que focar e o que abdicar não é um exercício que a escola (nem mesmo nossos pais) nos ensinou – o que a torna uma tarefa ainda mais difícil. Trabalho, sem dúvidas, é uma prioridade. Se não pelo dinheiro, então pela realização. Mas, a meu ver, ele está em terceiro lugar.

Eu conseguiria lidar com a dor de uma não realização profissional, mas não suportaria ter perdido o desenvolvimento dos meus filhos ao lado deles. Inclusive, este é o exercício que eu faço para ranquiar as prioridades da minha lista: eu faço uma breve viagem imaginária ao futuro e tento pensar o que eu mais sentirei falta caso não tenha vivido ou conquistado. O mais engraçado é que colocar meus filhos ocupando a minha agenda assim como meu trabalho me permite uma dedicação leve para ambos, sem me sentir dividida ou culpada.

A culpa é aquilo que você sente quando sabe que podia ser diferente mas não está sendo simplesmente porque você ainda não optou por isso. O que você sente por desejar o irreal, o ideal ou o impossível não é culpa, é frustração. A culpa é um sinal de que você poderia estar fazendo escolhas melhores e não está.

Por isso, o que sinto hoje por ainda não ter me dedicado ao meu livro como gostaria é frustração, não culpa. Ele, ainda, não coube na minha agenda. Mas tudo bem, porque ela está muito bem ocupada.

Meus filhos tem 2 anos, a Elisa, e 1 ano, o Filipe. E eu já os acho enormes e já morro de saudades quando vejo as fotos de meses atrás. Sim, eu tenho a sensação de que passou rápido mas não tenho a sensação de que eu não vi ou não vivi.

Eu estava lá. Eu senti o cheiro deles. Eu pulei, brinquei, sorri e cantei com eles. E continuo fazendo isso todo dia (ou quase todos) quando acordo ou quando chego em casa depois de trabalhar o dia todo fora. Eu faço isso categoricamente, como que para preencher um álbum de fotografias mentais das memórias mais queridas. E como um exercício diário para viver com mais leveza e menos culpa.

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