Amamentação e trabalho de parto: saiba como estes processos estão ligados

A amamentação e o trabalho de parto são fases muito importantes da vida da mãe e do filho. Mas você sabia que, juntos, eles podem influenciar diretamente na alimentação do bebê?

Todas as mães sabem que, na maternidade, existem momentos que se destacam de outros. Os primeiros passos, a primeira palavra, o primeiro dia de aula. Dentre eles, é claro, não dá para deixar de fora o dia do tão esperado trabalho de parto e os primeiros momentos com o bebê na amamentação.

Contudo, você sabia que o modo como é o parto de uma mulher pode influenciar diretamente o aleitamento materno e as dificuldades da alimentação do bebê!? Calma! A gente te explica tudo para você entender, de uma vez por todas, como funciona essa ideia.

A pesquisa Nascer no Brasil (2014), a maior da temática em nosso país, trouxe números alarmantes. Na época, apenas 15% dos partos brasileiros eram vaginais, sendo que a maior parte das mulheres começavam o pré-natal com o desejo do parto normal, e no terceiro trimestre grande parte optava pela cesárea. 70% das cesarianas aconteciam eletivamente, ou seja, antes do trabalho de parto, e destes, 50% antes da 39ª semana.

O que poucos sabem é que a maneira como o nascimento ocorre pode trazer impactos na amamentação, e que intervenções não fisiológicas no momentos do nascimento e do pós-parto imediato afetam o sucesso do aleitamento a longo prazo, fatos comprovados por estudos científicos. O bebê reconhece sua mãe por via oral, tátil e olfativa.

Saiba como o parto pode influenciar o aleitamento materno
Saiba como o parto pode influenciar o aleitamento materno (Foto: iStock)

No momento do nascimento ele tem atração pelo cheiro e sabor do líquido amniótico, que é semelhante ao do leite materno. O que acontece em partos medicalizados e cheios de intervenções é que mãe e bebê não estão plenos de suas capacidades, e na tentativa de ajudar, os profissionais acabam por forçar o bebê na direção da mama, o que perturba o reflexo de sucção, altera a posição da língua e interferem negativamente na amamentação.

Em algumas situações as intervenções, assim como a cesariana são inevitáveis, porém ao saber dos possíveis impactos, podemos pensar em estratégias para minimizar, como por exemplo não secar as mãos e braços do bebê para que sinta cheiro e sabor do líquido amniótico, atrasar procedimentos dolorosos como vitamina K e vacinas para após algumas tentativas de amamentação com êxito, atrasar o banho do bebê tanto pela questão do líquido amniótico quanto hipotermia. Nem sempre as coisas acontecem como gostaríamos, mas com certeza podemos ter um olhar atencioso para que seja da melhor maneira possível!