É tempo de ser criança: brincar é fundamental para o desenvolvimento do seu filho

Uma receita capaz de garantir uma infância mais feliz e um futuro de sucesso, mas que está desaparecendo da vida de nossos filhos

Nossas crianças estão chegando na adolescência sem as ferramentas necessárias para lidar com os desafios comuns dessa fase da vida. Oferecer suporte emocional e psicológico na adolescência é uma forma de amenizar o problema. A solução, porém, está na prevenção. E depende muito mais de uma mudança de postura dos pais do que de qualquer outra mudança fora da família.

As crianças precisam brincar sozinhas, sob as próprias regras (Foto: Getty Images)

A forma como tentamos garantir que nossas crianças estejam preparadas para competir no futuro está gerando adolescentes e adultos incapazes de lidar com a realidade. Quando toda a rotina é estruturada de forma que a brincadeira livre, sem regras e tempo preestabelecidos, seja cada vez mais rara, a sensação que fica é de total inabilidade para lidar com o mundo.

Pesquisadores do desenvolvimento infantil registram uma grande mudança na postura das crianças: ao invés de objetivos intrínsecos, as ações são cada vez mais geradas por metas externas. Cumprir agenda cheia de atividades, ser o melhor em diversas categorias, conviver com adultos na maior parte do tempo são alguns dos aspectos da vida moderna que têm substituído os momentos em que as crianças deveriam estar brincando.

Pare por alguns minutos e pense nas perguntas que você fez quando foi escolher a escola do seu filho. Quais as preocupações que invadem sua cabeça e coração quando se questiona sobre estar preparando seu filho para o futuro? Raramente pensamos sobre o quanto terão de tempo livre para brincadeiras em que não estejam sendo guiados por um adulto. Nem mesmo durante uma festa de aniversário deixamos as crianças com a responsabilidade de encontrar uma forma para se divertirem. Há sempre um adulto “cuidando” de tudo, tentando garantir que “todos se divirtam”.

A consequência é a postura de espera por alguém que vá trazer as respostas, sugerir a brincadeira, oferecer os brinquedos, formar as duplas, ensaiar as respostas, determinar quanto tempo deve durar. E lá vão nossas crianças crescendo sem espaço para amadurecer, sem espaço para amadurecer, sem enfrentar desafios que fortalecem os músculos do corpo e do cérebro.

Tudo requer aprovação e aplauso. Nenhum espaço para que desenvolvam autocontrole, tomada de decisão, senso de responsabilidade pelas escolhas que fazem. E qual a dose adequada para cada idade? Esse termômetro está lá dentro do seu filho. Eis por que estamos perdendo a mão: queremos determinar os parâmetros de acordo com nossa ansiedade e expectativa de pais. E lá estão nossas crianças tentando ser maduras o suficiente para não decepcionar, mas perdendo momentos essenciais da infância.

Nossas crianças precisam brincar mais. Antes de perguntar o método que a escola segue, pergunte sobre os momentos livres, em que as crianças podem interagir com supervisão, mas sem intromissão de um adulto. Simples assim!