Estamos juntos no ‘novo normal’: na escola, no trabalho e em qualquer lugar

Os tempos modernos muitas vezes trazem momentos de solidão, até nas crianças. Principalmente com o isolamento provocado pela covid-19, é importante entender a importância de socializar e ter contato com outras pessoas

Existem duas características das famílias nos dias atuais que contribuem para muitas das situações de estresse na relação das crianças com a escola, com a aprendizagem e com os colegas. A primeira é o número menor de filhos. E a segunda é o isolamento das famílias, que já ocorria no período pré-pandemia por questão de segurança, falta de tempo para convivência em comunidade ou por mudança de cidade gerada pelo trabalho dos pais.

Nossas crianças têm vivido uma primeira infância muito solitária. Por si só, isso já representaria uma perda muito grande. Além disso, os pais, inseguros, cheios de culpa pela falta de tempo, acúmulo de trabalho, estresse nos relacionamentos sociais e também sentindo-se solitários, acabam por envolver os filhos em uma bolha. Dentro dessa bolha, o filho cresce em um mundo que em nada representa o real.

O discurso dos pais, mesmo que interno, para eles mesmos, navega entre algumas dessas premissas: vou dar o que não tive, não quero que meu filho se frustre, ele ainda é tão pequeno, vai aprender quando crescer e outras mentirinhas que só impedem que o filho se prepare para o mundo real.

A socialização é importante para as crianças no 'novo normal'
A socialização é importante para as crianças no ‘novo normal’ (Foto: Getty Images)

O simples fato de termos famílias tão menores já tira de nossos filhos os preciosos momentos de disputa, seja pela atenção, seja pelo brinquedo, seja pela vez de usar o banheiro, que tínhamos com nossos irmãos.

Seu filho precisa de outras crianças para aprender a “ser” e a “conviver” com pessoas de idade semelhante. Uma infância sem os desafios do desejo pelo mesmo brinquedo, de escolher brincadeiras diferentes do colega, de precisar correr para chegar primeiro no banheiro gera crianças que não têm oportunidade para praticar a arte de se relacionar. E, sendo criadas em situações extremas, na escola estarão também em pontos sempre extremos: seu filho será o que bate ou o que apanha. O que faz ou o que sofre bullying. O que chora para não entrar ou o que chora porque não quer ir embora. O que se cobra para ser o foco o tempo todo ou o que se esconde para não ser visto.

Crianças não têm como buscar sozinhas o equilíbrio e as oportunidades para desenvolver as habilidades que tornam o convívio social um prazer. E nós, adultos, não temos, sozinhos, ferramentas suficientes para ajudar nesse desafio. Precisamos aceitar e buscar a colaboração de primos, colegas, vizinhos, ou lidaremos com os problemas
gerados na escola em consequência de uma vida isolada em uma bolha.

Especialmente em 2022, depois de tantas idas e vindas entre aulas remotas, rodízio e distanciamento, precisamos garantir que nossos filhos convivam com outras crianças, sempre mantendo todos os cuidados e protocolos que protejam a todos da ameaça que a pandemia ainda representa.