A mulher preta de maternância atípica

É preciso dar visibilidade para a realidade de mães negras e atípicas

**Texto por Gabriela Pereira dos Santos, mãe de Benyamin Luiz, uma criança Atípica e múltipla-Trissomia do 21, surdez, autismo

A maternidade atípica precisa ser discutida
A maternidade atípica precisa ser discutida (Foto: Arquivo Pessoal)

A maternidade atípica acontece quando temos filhos com algum tipo de deficiência ou doença rara – o termo vem sendo utilizado por mulheres que se incomodam com frases como “Mãezinha especial” ou “escolhida por Deus” – títulos esses que tiram a humanidade do maternar, além de serem carregados de capacitismo (preconceito social contra pessoas com deficiência).

Uma jornada de  invisibilidade

Precisamos também racializar a maternidade: existe diferença na realidade atípica da mulher branca para aquele vivenciada pela mulher preta. Enquanto as pessoas brancas, ao se depararem com um diagnóstico enfrentam um período semelhante ao luto – as mulheres pretas, por terem nascido como que à margem da sociedade, acrescentam aos seus receios pela vida de uma criança preta a luta incessante por direitos e espaços para as pessoas com deficiência – a luta é em diversas frentes e sem tréguas em uma sociedade racista, machista e capacitista.

Precisamos estar atentos para as demandas da maternidade atípica da mulher preta; muitas dessas mulheres dependem do BPC/LOAS, pois são, em sua grande maioria, mães solo, vivendo nas grandes favelas e bairros periféricos do país, sem nenhum tipo de políticas públicas que as ampare, o que muitas vezes acaba por torna-las reféns de assistencialismo e subempregos – isso quando conseguem retornar ao mercado de trabalho: a inclusão social é uma realidade tão desejada quanto distante na realidade dessas famílias.

A maternidade negra e atípica traz outras questões
A maternidade negra e atípica traz outras questões (Foto: Arquivo Pessoal)

Esse mês iniciam-se as mobilizações pelo Dia Internacional da Mulher – raramente vemos mulheres pretas com deficiência ou a maternidade atípica preta incluída nas campanhas. Muito se fala sobre sororidade e dororidade – e o lugar para as mulheres pretas? E para as mulheres pretas mães atípicas, há voz? Existe um espaço no feminismo para essas mulheres que nasceram e pariram fora dos padrões?