Maternidade, autoestima e empoderamento negro

É um longo caminho que precisamos trilhar para que, de fato, a gente se sinta representados

**Texto por Erisangela dos Santos Dias, @erisangelastyling, 38 anos, negra, Soteropolitana, formada em Administração, servidora pública, modelo fotográfica, digital influencer, empreendedora, mãe de Sofia, de 3 anos.

É importante que nossas crianças sejam empoderadas desde cedo
É importante que nossas crianças sejam empoderadas desde cedo (Foto: Arquivo Pessoal)

Desde a minha adolescência, sempre busquei o diferencial, versatilidade e inovação em meus looks, procurava me inspirar em mulheres que fizeram histórias, as quais tiveram papéis importantes no mundo da moda, como Chanel, Prada. As mesmas, tendo personalidades fortes, foram pessoas que conquistaram um império.

Já fiz alguns cursos de passarela e postura em algumas agências. Minha maior admiração é pelo mundo FASHION. Mas, através de toda essa trajetória ligada à moda, existe um amor incondicional que é minha filha Sofia. Ela veio de uma forma inesperada, mas hoje digo: é meu amor Ágape, amor maior.

Tinha muito medo de engravidar, realmente não estava em meus planos, até porque o medo sempre foi no sentido de perder minha liberdade, e projetos que estavam em mente, além das parcerias que seriam fechadas naquela época.

Todavia, engravidei. Quando descobri já estava com 5 meses de gravidez, ou seja, 22 semanas de gestação. Fiquei anestesiada, desesperada, sem saber por onde começar esse novo ciclo que se chama MATERNIDADE. Em relação a Sofia, 3 anos de idade, eu digo: “Foi o prêmio mais valioso que Deus me concebeu”, ela veio realmente para ressignificar minha vida e me transformar como mulher. Sinto-me muito mais forte e decidida; passei a enxergar e levar a vida de uma maneira totalmente diferente.

Atualmente sou proprietária de um bazar virtual chamado @El.8oficial, em relação ao qual, meu foco principal é levar autoestima e elegância através de roupas e acessórios de diversas marcas e grifes como forma de influenciar diversas mulheres que almejem esse querer, trazendo, para cada uma delas, seu estilo, elegância e bom gosto; sem perder sua identidade.

A moda, pra mim, é um entretenimento que traz bem estar, modéstia e estilo. O que quer seja que usamos, roupas, sapatos, bijoux, make-up, são ferramentas capazes de levantar a nossa autoestima.

Tenho uma visão de empreendedorismo e negócio relacionada à moda. Penso que minha missão seja levar a estética negra voltada ao poder, glamour e ao empoderamento, no sentido de construção de novos projetos, novos negócios, novas tendências, mostrar a força dessa mulher negra que sou.

Sei que é um mercado que não é explorado tanto pela comunidade negra, porém procuro trabalhar com desenvolvimento, relacionamento estratégico com moda e produtos de beleza. Tenho um posicionamento digital de estética, sobre o qual já possuo parcerias com algumas clínicas de estéticas, onde eu levo essa imagem de mulher negra empoderada; defendo e falo sobre moda, além de construir identidade e autoestima.

Apesar de ter crescido numa sociedade em que os negros sempre foram a minoria no que diz respeito a direitos igualitários no âmbito econômico, social e racial, nunca me deixei abater por esses critérios, sempre fui muito focada no meu objetivo, mesmo percebendo que tais situações se deram por questões raciais. Do mesmo modo, jamais deixei de acreditar que teria capacidade de exercer tal papel, sei que é difícil, contudo nunca me senti oprimida, sempre tive “os pés no chão”.

Eu acredito, enquanto figura pública, que é de suma importância esse trabalho de levar autoestima e empoderamento para mulheres que necessitam desse suporte. Sinto que muitas delas se sentem representadas.