Crises, oportunidades e velhos clichês (visto por outros ângulos)

Já virou clichê lermos que momentos de crises são grandes oportunidades de mudanças, mas que tal aplicar este conceito no modo como exercemos nossa parentalidade e direcionamos nossas carreiras?

**Texto por Felipe Oliveira, pai de Helena e Henrique, palestrante e curador de conteúdos sobre paternidade, carreira, negócios e diversidade, trabalha na área de Relacionamentos no Instituto ID_BR, uma das organizações referência na promoção do debate racial no mundo corporativo, e é o criador e apresentador do Canal do Youtube/Instagram Pode Pai!?

Tem muito que podemos aprender com o que aconteceu em 2020 (Foto: Shutterstock)

Faça uma breve pesquisa no Google. Digite “crise e oportunidade” e vejam quantas citações, de diferentes autores, surgem em sua tela. Claro, respeitando toda a complexidade de algoritmos – que customizam cada busca de maneira quase individual – provavelmente encontrará uma série de textos, artigos e reportagens abordando este tema, passando de conteúdos para liderança corporativa, empreendedorismo até questões relacionadas à meditação e mindfulness.

Mas SIM! A crise nos mostrou que há sempre novas oportunidades a serem exploradas, e a mais presente para os leitores desta publicação é a relação entre pais e filhos (me perdoem o trocadilho, mas não encontrei outro jogo de palavras mais adequado!).

De uma hora para outra, nossos lares se tornaram, simultaneamente, escritórios e escolas. Enfrentamos a simbiose (não tão) perfeita entre homeworking e aulas online.

Nos tornamos os professores de nossos filhos e estes, os nossos “estagiários”, assistentes que, hora nos ajudam a acender as luzes, fechar as portas ou buscar aquele item que esquecemos em outro cômodo, ou então que teimam em aparecer em nossas videoconferências, choram na hora errada ou simplesmentes não conseguem entender que o papai e a mamãe estarem em casa o tempo todo não significa que o final de semana foi prolongado nos últimos 8 meses!

A conexão com a família foi um grande ganho para Felipe (Foto: Arquivo Pessoal)

A falta de clareza do que é dia de trabalho e final de semana, tão lúcido na memória cotidiana das crianças que frequentam as escolas e/ou cujos pais trabalham fora de casa, mas que foi misturada numa mescla de horários e (falta de) rotinas nos impulsiona a sermos criativos para entretermos a criançada ao longo dos dias. E uma das soluções mais simples que existem é a boa e velha combinação de Filme-Pipoca-Cobertor!

É um momento que a criançada ama! Aqueles personagens carismáticos, as histórias eletrizantes, as músicas que grudam igual chiclete! E quando elas vão compartilhar toda aquela animação com a gente… Estamos com a cabeça longe. Na maioria das vezes estamos pensando no e-mail não enviado, na reunião a ser realizada, ou simplesmente zapeando pelas redes sociais, lendo algum conteúdo no tablet ou smartphone, ou mesmo colocando em dia aquele livro que há tempos desejamos ler. Deixamos passar uma grande chance de estabelecermos algo tão valioso quanto subestimado hoje em dia: a verdadeira conexão com nossos filhos.

Avaliar essa situação, onde eu estava apenas de “corpo” e não de “alma” nesses momentos com meus filhos me fizeram enxergar uma oportunidade na crise que nos rodeava (entenda-se por crise a quantidade de estímulos que me afastava de vivenciar aquele momento em sua plenitude). Foi quando eu resolvi parar tudo e assistir o que tanto atraía a molecada para aqueles filmes. As mensagens positivas sobre amizade, dedicação, boas atitudes, estavam todas lá. Mas descobri coisas que vão além disso! Descobri lições riquíssimas sobre diversidade, liderança, empreendedorismo, networking… Ou seja, uma série de conteúdos que poderiam muito bem serem aplicados em meu trabalho, em meus negócios, em minha carreira!

É este o convite que faço a todos vocês, pais e mães. Abram os olhos e os ouvidos para as mensagens “subliminares” que os filmes infantis nos mostram! Claro que a criançada dificilmente vai pegar essas sacadas escondidas, mas se assistirmos atentamente, NÓS veremos que:

  • A Dory, de Procurando Nemo, é uma das melhores coachs de networking, muito melhor que vários gurus do Linkedin;
  • O Buster Moon, o coala de SING – Quem Canta Seus Males Espanta, representa muito bem a realidade dos empreendedores brasileiros;
  • Gru, personagem central de Meu Malvado Favorito, nos apresenta os desafios da transição de carreira
Aproveitar esses momentos juntos é bom para todos (Foto: Arquivo Pessoal)

O futuro distópico apresentado em Wall-E não está tão distante quanto imaginamos…
Para auxiliá-los, há um canal no YouTube chamado Pode Pai!? que aborda exatamente estes pontos: O que podemos aprender sobre paternidade, carreira e negócios ao assistir os mesmos filmes que a criançada? E o melhor de tudo: junto deles! Estabelecendo aquela conexão mágica que durará por toda a vida, mas que tem o seu início nessa primeira fase da infância.

Não disse lá em cima que sempre há oportunidades nas crises? Pois bem: Aproveitemos que a pandemia nos forçou a ficar mais tempo em casa e invistamos esse período para aprender e se divertir ao mesmo tempo, com lições fantásticas que nenhum guru de carreira compartilharia com tanta diversão e leveza! Você deixará uma lembrança muito feliz e marcante na memória de seus filhos e absorverá conteúdos que podem ser aplicados imediatamente em seu trabalho, talvez quem sabe, na próxima reunião para qual você deveria se preparar!