Família colorida: um toque de diversidade faz muito bem!

Como construímos uma percepção de sociedade sem racismo com as crianças a partir da nossa família inter-racial

**Texto por Marina Franciulli, comunicóloga há cerca de 15 anos e apaixonada por assuntos sociais e relacionados ao bem-comum, mãe de Gael e Ian.

O nosso país não é racista. Calma, essa não é a verdade, mas é uma ideia amplamente difundida há tantos anos que para alguns, que não vivenciam a realidade, pode ter se tornado realidade.

Ensinar sobre diversidade é educar para o mundo (Foto: Shutterstock)

Meus pais são casados há mais de 40 anos. Ela, filha de italianos que imigraram para um país próspero e sem guerra. Ele, negro, do interior de São Paulo, neto de uma mulher nascida no ventre livre. Do casamento, nasceram 3 filhos e o questionamento constante se “eram do mesmo pai”. Os filhos cresceram e casaram, e seguem tendo filhos.

Hoje, somos 12 à espera do 13º membro da família, o Ian nasce no início de setembro. O que temos em comum além dos laços de amor e de sangue? Afinidades, carinho, respeito e características físicas completamente diferentes uns dos outros. Claro, temos traços em comum, mas, somos uma família colorida.

Assim como no nosso núcleo familiar central, as famílias formadas pelos meus irmãos e por mim, seguem sendo coloridas.

Marina enxerga a família como exemplo (Foto: Arquivo Pessoal)

Educar crianças em gerações e construções sociais tão diferentes é um desafio. Minha mãe era uma loba defendendo as suas crias das brincadeiras (o bullying tinha outro nome naquela época). E muitas cicatrizes dessas brincadeiras são aparentes e sangram até hoje.

Me lembro de histórias das personagens brancas serem lindas. Da cor da pele ser aquela clarinha e dos cabelos bonitos serem lisos.

Enfim, crescemos. Ampliamos as nossas perspectivas de mundo e nos fortalecemos a cada nova gestação. Nos posicionamos. Há quem foi à escola questionar o giz cor da pele. Há quem questionou outros pontos tão fundamentais antirracistas. Mas também há quem passa por cima. E segue.

Hoje, meu filho tem 2 anos. Ele tem pele branca, cabelos claros e cacheados. E para ele não há diferença alguma com relação a cor de pele e cabelo. Ao menos até aqui ele nunca foi questionado, mas todos os dias deixamos claro que as pessoas têm características diferentes, e que bom!

Marina ao lado do filho, Gael (Foto: Arquivo Pessoal)

A espera do meu caçula, que nascerá no início de setembro, me pego pensando na herança que trago dessa família colorida de origem e do desdobramento dela. O meu papel como mãe e mulher preta na criação de dois meninos, que podem ter características tão diferentes entre eles, é fortalecê-los desde a primeira infância para que façam e vivam uma sociedade diferente.

Enaltecer as crianças é fundamental para que se desenvolvam plenamente e se posicionem. E, como mãe, tenho a esperança de que a geração deles será muito melhor do que a nossa.