Ser mulher e mãe negra já te coloca existencialmente em atenção

E se agrava quando a gente fala de maternidade, maternidade negra! Uma maternidade que não se vê estampada toda

**Texto por Érika Oliveira, mãe em dose dupla da Eduarda e da Lorenna, influenciadora Digital e CEO da marca Preta Chic

É preciso falar sobre racismo desde cedo (Foto: Estúdio Kika Rodrigues)

Quando entrei para o mercado digital levada exclusividade pela ânsia de referência no maternar negro me senti frustrada e triste! Não via mulheres como EU apenas protótipos de perfeição e não eram mulheres negras. Diante disso, me coloquei à ser a referência que eu procurava e percorrer “AD Eternum” a força para criar mulheres e mulheres negras!

Uma pergunta me acompanhou e muitas vezes me deixou com nó na garganta: quantas mães blogueiras negras você conhece? E perceber que as pessoas não tinham nomes na mente nem referência, isso me fez querer avançar! E gritar para o mundo! Eiiii MÃES NEGRAS EXISTEM! Consomem e querem seu espaço! Querem seus filhos amados e respeitados.

A gestação trouxe pra mim como mulher preta medos brutais por saber que a minha geração também enfrentaria o que outrora eu já passei, já ouvi, sabendo então do sexo já sabia que blusas na cabeça fingindo ser cabelo liso seriam uma realidade e agora para aquelas meninas indefesas que eu gerei. É duro, é árduo, mas as meninas me trouxeram o impulso para avançar e problematizar muitos aspectos comportamentais e racistas.

A maternidade transforma a forma de enxergar o mundo (Foto: Arquivo Pessoal)

Hoje posso dizer que o reforço diário e a representatividade são verdadeiros aliados nessa empreitada sobre auto afirmação e o racismo diário! Meu desejo óbvio, como mãe é que as meninas caminhem fortalecidas, pisando forte e mostrando seu valor além de sua cor! Expectativa que o racismo acabe?! Não sei, mas nós quanto negros e negras estamos avançando! E lançando para o mundo as nossas flechas (filhos) com couraças mais resistentes e militantes para expurgar das relações qualquer ato desrespeitoso contra o nosso tom de pele.

Eu quero que as minhas filhas se vejam representadas, mas sinto que auto cuidado e o auto amor são mais efetivos e permanentes. Por isso, não desanimamos nessa empreitada que é gerar um ambiente forte , respeitoso e empoderado. Dentro de casa, temos bandeiras, a do respeito e a do altruísmo. E desde um desenho com representatividade até o modo de falar das nossas características e diferença entre um amiguinho branco, japonês etc.. Tudo é conversado e tem Importância!

Não tapamos o sol com a peneira quando o assunto é nosso tom de pele e respeito que é sempre uma via de mão dupla. Toda essa relação mantém a minha família muito mais forte e unida! E nos faz avançar em todas as frentes de relacionamento humano. A forma como nos tratamos evidência o cuidado e proteção que temos. Nunca vamos parar! O racismo nunca será aceitável e a nossa luta será sempre para que menos famílias e crianças negras tenham sua identidade ferida.

Respeito é obrigatório (Foto: Estúdio Kika Rodrigues)