Escola-pais-alunos: uma ideia para sair da sinuca em que estamos

Finalmente a importância dessa parceria está sendo percebida como de extrema necessidade

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Tenho acompanhado algumas tarefas virtuais que as escolas enviam às crianças. Não deve estar sendo fácil aos professores desenvolverem os conteúdos e virarem youtubers do dia para a noite. E não tenho dúvida que tais conteúdos acabam tornando-se empobrecidos, uma vez que já sabemos da importância da mediação na construção do conhecimento e da utilização das metodologias ativas neste processo. Como fazer isso em EAD? Ajudaria se os pais soubessem, no mínimo, das teorias educacionais, psicológicas e do desenvolvimento do sistema nervoso para ajudarem melhor os filhos nesta empreitada da aprendizagem.

Mas, esta não é a formação da grande maioria, e nem estava no cronograma deles realizar tal função, assim como lavar, faxinar, esterilizar, cozinhar, lidar com este turbilhão de emoções que a situação provoca. Além, é claro, do home office.

Consideramos ainda que as crianças não têm autonomia e nem habilidade para navegarem com maestria por este mundo virtual e acompanharem os links que aprimoram os seus conhecimentos. E nem para realizarem com autonomia as tarefas, pelo menos as que tenho acompanhado.

Para dificultar, o cérebro é configurado na experiência e o movimento é de extrema importância para as representações mentais dos pequenos. E os conteúdos devem ser ligados à realidade da criança e trabalhados de forma bem concreta. Como contemplar tais exigências cerebrais frente a uma tela? Se paramos as escolas, o que as crianças farão o dia todo, e como irão aprender apenas por si sós? Se continuamos, o que as crianças estarão deixando de fazer e de aprenderem por elas mesmas? Como sair desta sinuca? Talvez o caminho do meio.

Porém, todas as ideias que tenho requerem investimento de tempo (que de fato será um ganho de tempo), enquanto este, o tempo, tem sido a grande falta neste momento em que vivemos. Mas creio que a parceria escola-família, enfim, está sendo percebida como de extrema necessidade.

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Tenho uma ideia: já que os pais estão precisando doar seu tempo para estes aprendizados, que tal a escola ensiná-los a ensinar enquanto a escola ensina? E, claro, que tal darem menos tarefas para que as mesmas possam ser saboreadas por todos assim como devem ser os saberes? Dou um exemplo de uma das tarefas que acompanhei hoje: aprender sobre os continentes. Que tal pedir a quem for ajudar a criança que navegue pelo Google Earth começando pela casa da criança, ampliando para a sua cidade, país até chegar à noção de continente? Então, amplie mais e viagem de um continente a outro, fazendo provocações que levem a criança a pensar, a investigar, a buscar respostas e a fazer perguntas.

Se a família já viajou ao exterior ou se sonha com algum lugar, há várias possibilidades. Ex: “Lembra que fomos (ou queremos) ir à Disney? Vamos achá-la? Em que país está? Qual o continente? Por onde o avião passa da nossa cidade até lá? Por quais países? Por quais continentes?”. Façam isso com alguns países. A imaginação não está em quarentena.

Depois, abra um mapa-mundi. Se tiver o material físico, melhor. Mas, antes, ajude a criança a imaginar o globo sendo aberto e se transformando em um plano. Lembremos que o que é claro a nós, não é necessariamente para a criança. Busquem coisas pela casa que são de outros países. Uma camiseta (veja as etiquetas e se surpreenda), um azeite,  um perfume, fotos, explore a sua observação e criatividade. E então busquem encontrar os países de onde vieram tais objetos e encontrem no mapa.

E façam uma competição entre os continentes. O azeite era de Portugal? Um ponto para a Europa. A camiseta foi feita no Camboja? Um ponto para Ásia. E por aí vai. Mas deixe a criança procurar. Dê dicas: fica perto de tal lugar. Fica em tal continente. Mas deixe-a buscar, pois este também já é um exercício de atenção seletiva, muito importante às crianças.

Pode ainda pedir para a criança ligar para a avó, ou  para a tia que viaja sempre ou seja lá quem for e fazer uma pesquisa dos países que as pessoas foram e o que gostaram mais. E vão lá procurar no mapa. Além de deixar a outra pessoa feliz, a criança estará desenvolvendo habilidades de comunicação importantes.

Se não tiver nada em casa de outro país, criem um roteiro de viagem. Vejam por onde querem ir. Pesquisem alguns lugares, vejam imagens, atividades para fazer, como é o clima por lá, quantos quilômetros viajarão. E deixem a imaginação fluir, inclusive para explorar o tema.

E basta esta atividade, que já trabalha história, geografia, matemática, português, ciências e muitas e muitas habilidades. E ainda reforça o vínculo entre a família, que para mim é a principal lição.