Tomar ou não tomar a vacina: eis a questão

Nenhuma das vacinas para o COVID-19 foi aprovada para uso em gestantes e lactantes, mas o benefício da imunização é maior do que os possíveis riscos

Estamos em abril de 2021 e até o momento ainda não houve aprovação “oficial” das vacinas do COVID-19 para uso em gestantes e durante a amamentação. Os estudos estão em andamento, mas para que saia a liberação final é necessário cumprir um ritual científico que leva um certo tempo.

Os benefícios da vacinação são maiores do que os possíveis riscos (Foto: Freepick)

Tenho ouvido pessoas afirmando que não querem “ser cobaia”. Aqui no Brasil, esse dilema de tomar ou não a vacina já chegou para poucas mulheres em idade fértil – profissionais de saúde, professoras, agentes da segurança pública. Mas a questão é universal: em outros países que já avançaram bastante na vacinação, milhões de mulheres que se encontram nessa fase da vida já tiveram que tomar essa decisão, baseadas nas informações de segurança atualmente existentes.

As primeiras recomendações das entidades científicas mundiais para a vacina em mulheres grávidas ou amamentando foram bem evasivas: afirmavam que as mulheres deveriam ponderar junto com seu médico os riscos e benefícios e tomar individualmente a decisão de se vacinar ou não. Na prática, isso deixava as mulheres ainda muito indecisas.

No início de março deste ano, a FIGO (Federação Internacional de Ginecologia e Obstetrícia) emitiu um posicionamento mais claro sobre o tema. Apesar de ainda não terem sido concluídos os ensaios clínicos pra gestantes e lactantes, baseados nos dados existentes (estudos em animais e dados de mais de 20 mil gestantes já vacinadas nos EUA), a FIGO afirmou que “não há riscos reais ou teóricos que superem os potenciais benefícios da vacinação em mulheres grávidas”.

Sim, é fato que as vacinas são diferentes e as já testadas nos EUA não estão disponíveis no Brasil. Mas todas elas usam apenas pequenos fragmentos do vírus ou parte de seu material genético para ativar a resposta imunológica, e, portanto, não tem a capacidade de causar a doença.

As vacinas do COVID-19 disponíveis aqui no país têm mecanismo de ação muito semelhante a outras vacinas já amplamente testadas e com segurança mais do que comprovadas, como por exemplo a vacina para gripe (influenza), que é inclusive considerada obrigatória para gestantes e lactantes. Também por esse motivo os maiores especialistas acreditam que a aprovação final para uso das vacinas do COVID na gestação e amamentação seja apenas questão de tempo.

Dados de dezenas de milhares de gestantes já infectadas pelo COVID-19 no mundo mostram que a infecção tende a ser leve para a grande maioria (a gripe comum, por exemplo, pode ser até mais grave). Porém, o risco teórico das vacinas ainda parece ser muitas vezes menor do que o já baixo risco de complicações graves do COVID. E agora também já temos estudos comprovando que os bebês de mulheres vacinadas já nascem com anticorpos.

Portanto, alinhado às recomendações da FIGO e também das principais sociedades médicas, a minha orientação é clara: tomem a vacina. Todas as mulheres: as que estão tentando engravidar, estão grávidas (em qualquer fase), ou amamentando. E qual vacina tomar? Qualquer uma – a que estiver disponível para você. Pode acreditar que “ser cobaia da vacina”, ainda é muito melhor do que correr o risco de ser cobaia da doença.

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