Cada mãe sabe o que é melhor pra si e tem o poder de escolha

A maternidade é rodeada de julgamentos e pitacos, mas ninguém conhece a sua realidade melhor do que você. Portanto, siga o que acredita e deseja, sempre

Acabo de completar 42 anos e a pergunta que mais ouvi nos últimos meses foi “quando você vai ter o segundinho?”. Eu queria casa cheia, pelo menos três! Sempre me imaginei com uma família grande, mesa comprida de casa de vó, recebendo os filhos e netos nos feriados com comidinhas gostosas e acompanhadas de um bom bate-papo. Talvez porque eu cresci assim, rodeada de primos e tios.

As mulheres devem ser livres para decidir o rumo de suas vidas
As mulheres devem ser livres para decidir o rumo de suas vidas (Foto: Shutterstock)

Acontece que a realidade ficou bem distante da imaginação. Quando me casei, achei que a gravidez demoraria pra vir. Eu estava com 38 anos e já ouvia relatos das amigas sobre a dificuldade em engravidar. Exatamente por isso meu marido e eu ficamos surpresos com o positivo do teste logo no retorno da nossa lua de mel. Depois de uma gestação sem nenhuma intercorrência, dei à luz aos 39 anos.

Pra quem ainda me pergunta: não, eu não precisei fazer tratamento. Ainda fico me perguntando se o Gabriel foi um dos últimos óvulos que ainda me restavam naquela altura. Digo isso, porque depois de alguma pressão da sociedade me vi curiosa a verificar qual era o nível da minha reserva ovariana, caso quisesse ter mais filhos. Àquela altura, o Gabriel estava com quase dois anos e eu ainda não dormia uma noite inteira. “Bem perto do zero”, foi o que ouvi da minha médica. Putz!, pensei. Acho que agora não tenho mais que escolher.

“Ter que”. Aí mora o problema. Você vai dizer o que muitas pessoas já me disseram. “Sim, você tem opções”, “uma amiga engravidou aos 45 anos e correu tudo bem”, “Congela”. A verdade é que, naquele momento, eu não queria o segundo. Estava tão cansada e dedicada ao primeiro filho que não cabia um outro na rotina. Impossível! Agora você vai me dizer aquela outra frase… “Você dá conta!”. Não, eu não dou conta e ponto.

É claro que se eu tivesse dois filhos pra cuidar eu daria um jeito sim. Mas, no meu caso, não sem antes descuidar de mim, das coisas e do todo resto. Porque eu sou assim e tenho certeza que tem muitas mulheres que diriam que não conta nem de um.

Filhos não devem ser resultado de uma cobrança social ou de uma cultura pré-estabelecida. Muitas vezes, nós cedemos a isso sem mesmo perceber que estamos reproduzindo apenas uma esquema enraizado entre nós. Mulher não TEM QUE ter filhos. Quem namora, não TEM QUE casar. Quem casa, não TEM QUE procriar. Quem tem um, não TEM QUE ter dois. Tem quem quer, tem quem pode, tem quem escolhe!

Eu escolhi ser uma p** mãezona de um. Eu não congelei óvulos e provavelmente não poderei fazer qualquer tipo de tratamento devido aos casos de câncer de mama nas mulheres da minha família. Mas, se ter uma família grande, com a casa cheia de filhos e netos ainda for a minha vontade daqui a alguns anos, ainda terei a opção da adoção. Ser mãe deveria ser apenas uma decisão por amor. Um viva pelo meu aniversário e parabéns pra todas as mães que acompanham a coluna. Dona Naza, te amo!