Colo de mãe é um santo remédio

Mas filho doente, também significa mãe impotente

Quando eu era criança, uma das coisas que eu mais gostava era quando eu ficava doente. Não pela doença, claro, mas por tudo de bom que aquela condição me trazia. Poder faltar na escola, assistir televisão o dia todo, deitada na cama ou no sofá… Mas principalmente poder ficar em casa recebendo o carinho a atenção dos meus pais. É claro que eu odiava ter de tomar remédio, fazer nebulização no hospital… E a ponta congelante do termômetro de mercúrio que minha mãe insistia em espetar de baixo do meu braço quando a minha temperatura subia, nem se fala! Sinto calafrio só de pensar.

O carinho e afeto da família são recomendações importantes para sarar (Foto: Shutterstock)

Mas pra mim, tudo isso era recompensado com o colo da minha mãe, o abraço do meu pai, a sopinha quentinha direto do fogão e todos os doces que estivessem no armário. Não é que meus pais não me davam atenção em outros momentos mas quando eu ficava doente sentia que o mundo deles parava só pra cuidar de mim. Até os meus irmãos cuidavam de mim. Eu sou a única filha mulher, então além dos “doutores”, eu tinha também os assistentes que não saiam do meu lado. Ficar doente significava reunião de família. Uma pausa na correria do dia a dia pra sentir o afeto em sua forma mais pura: o cuidar do outro.

Nesta semana, o Gabriel ficou doente e quando isso acontece, me sinto doente também. Isso acontece com você? Fiz uma enquete no meu Instagram e o resultado revelou que bem mais da metade das minhas seguidoras mães também se sentem dessa forma. Acho que é aquele amor materno que nos faz querer trocar de lugar com eles, se isso fosse possível. Minha mãe, a Dona Nazaré, me dizia que “mãe sente em dobro”, pelos filhos e por elas mesmas. A impotência é tamanha que a única coisa que podemos fazer é compartilhar da dor. Eu fico febril, sinto a dor de  garganta dele, o enjoo, o incomodo… O termômetro diz que está tudo certo, mas aqui dentro fica tudo revirado. A única coisa que penso é que preciso estar bem pra cuidar dele.

Fico pensando nas mães que não podem parar suas vidas pra cuidar dos seus pequenos, que tem de ir para o trabalho, produzir, dar resultado. E as mães-solo ou as que não tem rede de apoio, ou família por perto? “É só uma febrezinha!”. É porque não é o seu filho. Na minha opinião, mães e pais teriam de ter o direito de apresentar atestados no trabalho, sair mais cedo pra correr pra casa nem que fosse para apenas poder oferecer aconchego.

Mesmo sendo dona do meu próprio negócio, nem sempre eu consigo reorganizar a agenda. O trabalho fica em segundo plano, sim. Escrevo nas madrugadas, respondo aos emails nas brechas entre um antitérmico e outro. A prioridade é e sempre será o meu filho. Como mãe, não gosto nem um pouco de vê-lo adoecer. Fico pensando se ele pensaria como eu. Afinal, a casa para, a pia lota, as roupas fazem festa no cesto, só pra podermos olhar com mais atenção pra ele. Como mãe, o meu mundo continua parando, só que agora é pra fazer com que meu filho sinta todo o amor e o cuidado que ele necessita. E pela minha experiência como filha, não há no mundo remédio melhor do que o  colinho de mãe.