Educar é resistir

É tentador atender a todas as necessidades dos nossos filhos, mas o “não” é necessário

O Gabriel está chegando nos seus 2 anos e meio de vida e vem mostrando que tem vontades  próprias. O menino que ontem era um bebê, já escolhe a roupa que quer vestir, o que quer comer e,  principalmente, o que NÃO quer fazer. Sim, está aberta a temporada das birras por aqui. AAAAA!  Socorro! Saber lidar com esses comportamentos não é tarefa fácil. E na tentativa de contornar as  situações, percebi que a palavra “se” anda cada vez mais presente em meu vocabulário. Nossas  conversas frequentemente incluam um “se você isso…, se você aquilo…”. Algo que muitos de nós,  pais, fazemos. Parece até que estamos o tempo todo negociando com nossos filho.

Lidar com as birras infantis não é fácil, mas não podemos ceder a tentação
Lidar com as birras infantis não é fácil, mas não podemos ceder a tentação (Foto: Shutterstock)

“Se você comer tudo, eu deixo assistir TV”; “Tá bom, só mais cinco minutos…”; “Se você parar de chorar, eu te dou o brinquedo…” #quemnunca. Ceder, trocar, prometer… Verbos também presentes em muitas maternagens por aí. Eu percebi que agindo assim, estava constantemente prometendo algo em troca pelo bom comportamento do meu filho. Quer saber se isso funciona? Claro que não.  A única coisa que estou ensinado é que, se ele se comportar mau, vai ganhar a oportunidade de receber algo bacana depois. As crianças são muito espertas, entendem tudo rapidinho! E assim, o  ciclo mau comportamento-recompensa-bom comportamento nunca vai terminar.

Será que vale ensinar que tudo na vida é negociável (quando não é!) só para terminar com a nossa  aflição de ver a criança chorando pela frustração de não conseguir algo que quer, na hora que quer? Eu acho que não. A frustração faz parte do processo do desenvolvimento saudável de todo ser  humano. Birras, choros e gritos cansam. Na idade do Gabriel, elas se repetem várias vezes ao dia. A  última, aconteceu no parquinho perto de casa porque ele queria andar sobre um brinquedo muito  alto e eu não deixei. Eu não tenho altura suficiente para segurá-lo sem que corresse o risco de se  machucar. Ele sentou no brinquedo e abriu o berreiro. Me empurrou, empurrou o amiguinho que  estava ao lado… Senti aquela vergonha que todo pai sente numa situação como essa, mas não cedi.  Finquei os pés no chão e não arredei enquanto ele não desceu. Expliquei meus motivos, abracei,  acolhi. Poderia ter dado mais um biscoito, poderia ter comprado uma bola, ou uma bolinha de  sabão, do vendedor da pracinha pra garantir a descida. Poderia tê-lo ameaçado com uma bronca, ou com uma bronca do pai: “Quando seu pai chegar, você vai ver só”.

Mas não… Percebi que em vez de tentar negociar com o meu filho, eu tenho que ser a pessoa que  vai mostrar os limites e explicar as regras pra ele. “Ali não pode. É muito alto e você pode se  machucar”. “Mamãe não consegue”. Precisamos exercitar o diálogo com as nossa crianças desde  muito pequenos. Só assim eles conseguirão entender que existem motivos para os nossos  impedimentos.

Chantagear ou fazer promessas não são as melhores formas de lidar com a situação. Quando nós  fazemos isso, estamos colocando o adulto no mesmo patamar da criança, quando nós deveriam  permanecer na posição de quem cuidada e da suporte. A verdade é que nós não precisamos saber  das melhores técnicas de venda e persuasão do mercado pra lidar com nossos filhos. Precisamos é  nos manter firmes e ao mesmo tempo gentis, tendo sempre em mente o que é melhor os nossos  filhos. Educar também é resistir!