Mãe nota 10?

É comum que a gente a se cobre muito, mas podemos mudar o esse olhar

De zero a dez, qual nota você se daria como mãe? Eu sou o tipo de pessoa que corro atrás da nota máxima. Sempre fui boa aluna, esforçada mesmo, e que sempre levava notas altas pra casa. Ver qualquer vermelhinho na caderneta me tirava do sério. Meus pais passavam horas me consolando quando voltava com um oito bem redondinho no papel. Era um chororô danado. Sério!

A maternidade traz uma autocobrança grande, mas saiba: você está fazendo um ótimo trabalho (Foto: Shutterstock)

Dia desses me peguei fazendo essa pergunta, que nota eu daria para a minha maternagem? É muito difícil se auto avaliar. No quesito mãe, sinto que estou longe de alcançar o podium. Sabe aqueles pesadelos em que você tenta correr do perigo e parece que algo pegajoso agarra suas pernas e você não consegue sair do lugar? Pois então, sinto que estou presa entre o cinco e o sete.

Por mais que eu me esforce, o dez nunca vem. Sempre tem um errinho aqui ou ali que puxa a nota pra baixo: uma palavra mal colocada; um tom de voz mais firme; a preguiça de brincar depois de um dia exaustivo; a vontade de se esconder no banheiro pra falar com a amiga sem ter uma criança pendurada no seu vestido… Pode ser ceder para aquela guloseima fora de hora ou mais dez minutinhos no tablet pra ter mais dez minutinhos de paz e tranquilidade… Qualquer escolha mal feita faz despencar o zero depois do um, e nos coloca muito distantes do tão sonhado dez. A maternidade nos ensina que a perfeição não existe e que o aprendizado é diário, e eterno. E exatamente por isso, podemos melhorar a cada novo dia.

Quando eu entreguei meu trabalho de conclusão de curso da pós-graduação em Comunicação, não esperava pouca nota. Sabia que havia feito um trabalho bastante consiste e a minha expectativa era alta. A frustração veio no mesmo nível quando a banca examinadora me entregou a avaliação final, um nove. Nove?!? Eu fiquei chateada por dias. Nada me convencia de que aquele número correspondia a qualidade do meu trabalho. Pedi revisão. Meu marido, na época namorado, achou engraçado o fato de eu e importar tanto, já que nove era uma nota muito boa. E era mesmo, mas a injustiça com o meu esforço era clara pra mim e fui atrás do que achava que merecia. Consegui mais meio ponto (yes!) e enfim conclui a pós com um belo trabalho 9,5.

O que eu ganhei com meio ponto a mais? Além da rasura no papel, muitas outras coisas: reconhecimento pelo meu esforço; incentivo para continuar me dedicando; a sensação de estar no caminho certo; autoestima; e principalmente, autoconhecimento e aceitação. O dez que eu queria tanto não veio, mas a lição que tirei dessa história toda me serviu de guia para muitas outras situações na vida. Eu sou muito crítica comigo mesma e levar a vida mais leve é um exercício diário. Tudo bem não tirar dez numa prova, tudo bem não ser uma mãe perfeita. O que importa mesmo, é saber que estamos tentando sempre entregar o nosso melhor sempre. Quando comecei a escrever este texto, me dei nota 7. Mas depois da reflexão, acho que estou mais para 7,5. E está tudo bem! PS: Esta é a minha coluna de número 10. E então? Vamos comemorar!