A intervenção que pode mudar o destino do seu filho com atraso na fala e na interação social

O trabalho multidisciplinar é fundamental para o desenvolvimento da criança atípica

Pode ser que atrasos na fala ou na interação social tragam prejuízos a ponto de receber um diagnóstico de transtorno do desenvolvimento ou, pode ser que isso nunca aconteça. Independentemente do rumo que as coisas tomem, precisamos nos preparar, com a melhor carga possível, para ajudar nossos pequenos. Essa carga é o conhecimento, o preparo. Precisamos estar capacitados para estimular nossos filhos da melhor maneira possível e ajuda-los a alcançar o máximo do seu potencial.

As crianças com atrasos na fala merecem um cuidado especial com equipe multidisciplinar
As crianças com atrasos na fala merecem um cuidado especial com equipe multidisciplinar (Foto: Shutterstock)

As melhores intervenções para essas condições são as terapias comportamentais, baseadas na ciência ABA, com equipe multidisciplinar. O Modelo Denver de intervenção Precoce se destaca nessa categoria. Eleito em 2012 pela revista Times como uma das maiores descobertas da medicina, esse modelo abrange uma explosão de conhecimento nas últimas décadas sobre como bebês e crianças aprendem. Utiliza conhecimento de como um bebê e seu cérebro típico se desenvolve para poder facilitar uma trajetória de desenvolvimento similar em crianças que estejam em risco. Estudos mostram que é eficaz no aumento das competências cognitivas e linguísticas da criança entre 12 e 60 meses de idade, nas áreas de interação social e iniciativa, diminuindo a gravidade dos sintomas de autismo e outros atrasos, melhorando comportamentos e capacidades de se adaptar, ou seja, independência e autonomia.

Crianças aprendizes ativos interessados em formar e testar hipóteses sobre o mundo. Seu conhecimento aumenta quando interagem com objetos e pessoas. À medida que interagem com o mundo, o cérebro cria aprendizagem estatística, ou seja, detectam padrões e dão significados – a partir disso fazem dedução e previsões – (generalizando conhecimento) a partir dos dados que saem para reunir sobre o mundo.

Isso tem relação direta com o desenvolvimento da linguagem, cognitivo e social! Quando essa interação é fraca, como por exemplo, focar mais em objetos do que em pessoas, atentar mais a movimentos, brilhos e ruídos, a construção e conhecimento que deterá do mundo também serão fracas!

Crianças são “aprendizes estatísticos”, mas não são como computadores que aceitam qualquer informação ser embutida. Para que deduções sejam feitas e a aprendizagem ocorrer, precisam estar emocionalmente envolvidas com o ambiente. Por isso, estratégias terapêuticas naturalistas, que se preocupem com a alegria e motivação são as com excelentes resultados em diminuição de sintomas prejudiciais de crianças autistas.

No desenvolvimento da fala por exemplo, a atenção da criança é direcionada para informação que ache socialmente gratificante – precisa ser reforçador pra querer aprender. Podemos ficar falando milhares de palavras com ela, mas não vai adiantar se não tiver ligação afetiva. A criança precisa querer aprender, querer fazer igual.

Então, se criança mostra pouco interesse no ambiente social este requisito é fundamental para aprendizagem e o enriquecimento desse ambiente com o treinamento das pessoas que vão cuidar dela, deve ser o primeiro passo da estratégia de intervenção. Princípios fundamentais de um bom tratamento comportamental naturalista:

  • Aumentar valor da recompensa do envolvimento social. Adulto foca em encontrar o sorriso! Ou seja, encontrar fontes de prazer para criança.
  • Brincar é a forma de intervenção – centradas na criança e nas escolhas dela, seguindo sua liderança, suas ideias.
  • Crianças precisam de muitas interações sociais para se desenvolver. Então, é lógico assumir que os bebês e as crianças com autismo precisam, no mínimo, da mesma quantidade de experiências interativas que as de desenvolvimento típico, se queremos que progridam ao máximo nas áreas sociais, comunicativas e cognitivas!