Birras e crises: como ajudar as crianças com autismo nesses momentos?

É comum que, em algum momento, as crianças gritem, chorem e joguem as coisas para o alto, mas isso tende a ser mais comum para quem está no espectro

Todas as crianças gritam, choram, jogam coisas e apresentam outros comportamentos que por vezes consideramos inadequados. Mas, para os pequenos com autismo este problema pode ser mais frequente e mais intenso.

Acima de tudo, é importante manter com a sua palavra (Foto: Shutterstock)

Como a comunicação deles tende a estar prejudicada, eles têm menos recursos para entender os efeitos negativos que essas ações podem causar a si mesmos e às outras pessoas. Além dos problemas de comportamento serem um fator de estresse intenso para as famílias e para a própria criança, eles interferem diretamente na aprendizagem. Esses momentos que trazem nervosismo para todos poderiam ser oportunidades de ensino de formas de expressão, que gerariam vários estímulos ambientais ricos para a aquisição de repertórios básicos de comunicação e interação social.

Por isso é tão importante aprendermos a gerenciar esses comportamentos, eles podem ser responsáveis por uma série de consequências negativas para o desenvolvimento infantil. Algumas das causas mais comuns que tendem a desencadear essas atitudes são:

  • Conseguir algo que quer e sabe que não seria permitido em outra condição;
  • Fugir ou esquivar de demandas que não quer realizar;
  • Chamar atenção;
  • Controlar a situação, achar uma forma para que tudo seja do jeito delas;
  • Auto estimulação.

A ocorrência de comportamentos inadequados vai diminuir quando as consequências positivas forem retiradas de cena. Ou seja, se a criança continuar conquistando o que deseja ou tendo ganhos, será sempre reforçador para que ela continue fazendo, tornando muito difícil eliminá-los. Porém, ao mesmo tempo, é preciso acolher e validar o sentimento da criança. Logo que perceber a dificuldade da criança em lidar com alguma situação, descreva e explique para ela o que está sentindo e acontecendo.

Com a aquisição de habilidades, aprendizado da forma adequada de comunicar o que se deseja, essas ações serão substituídas por outros mais funcionais e positivas para o convívio. Isso quer dizer que, além de não reforçarmos os comportamentos prejudiciais, precisamos também ensinar para a criança um comportamento alternativo para substituir. Então, de que outra forma ela pode utilizar conseguir o que quer, de maneira adequada? Ou mesmo, como fazer com que aquela tarefa que ela não gosta seja mais suportável para ela?

Aqui vão algumas dicas que podem te ajudar a melhorar os comportamentos disruptivos dos pequenos e tornar momentos desagradáveis mais prazerosos para eles:

1 – Tentar se antecipar à crise

Algumas vezes já sabemos que teremos que lidar com a birra. Um exemplo clássico é quando dizemos “não” para algo que a criança quer muito e desencadear uma crise. Ao sabermos da alta probabilidade disso ocorrer, podemos nos antecipar explicando o que vai acontecer e mostrando imagens, podem ser até fotos no celular. Assim, aumentamos a possibilidade de compreensão e diminuímos a probabilidade da ocorrência de birras.

2- Validar o “Não”

Outra forma de evitar os comportamentos inadequados é darmos sempre validade à nossa palavra. Se sempre que negamos algo à criança, e cumprimos essa ‘promessa’, o pequeno já saberá que não adianta insistir. Agora, por outro lado, se dizemos ‘não’ a princípio, mas depois acabamos cedendo, a informação será ambígua em todas as próximas ocorrências. O pequeno nunca terá certeza de quando você está falando sério e tenderá a testar a insistência.

3- Saber o que fazer quando a antecipação não for possível

Isso pode acontecer ou porque a criança insiste ainda assim, ou porque não tivemos como antecipar. E, assim, a birra se torna inevitável. Neste momento, logo que a crise começa, podemos abaixar na altura da criança, falar baixinho com ela, pedir para respirar e se acalmar. Vá explicando com calma porque estão fazendo aquela determinada atividade ou daquela certa maneira, e que não será possível fazer ou ceder ao pedido dela naquele momento.

É muito importante demonstrar empatia, dizer que sabemos e entendemos que ela fique triste ou frustrada, e que sentimos muito por isso. Você também pode usar imagens nesse caso para explicar, podem até ser fotos improvisadas da internet mesmo, mas que ilustrem a situação de forma mais concreta.

E, por fim, espere passar junto com a criança. Não podemos ceder e fazer o que ela quer com a birra, por mais que pareça impossível na hora. Quando renunciamos o nosso ‘não’, ela associará que aquele comportamento inadequado sempre traz benefícios. É importante lembrar também que em alguns casos ela pode não estar frustrada com a situação e simplesmente querer nossa atenção. Nesses momentos podemos explicar a ela com sinceridade: “Entendi que você quer minha atenção agora, mas, assim que o seu irmão terminar de falar, será a sua vez”. E, finalmente, procure sempre a ajuda de um especialista para analisar adequadamente cada caso e te auxiliar e orientar a melhor forma de lidar com birras específicas!