Como ajudar os autistas a se comunicarem melhor?

Com incentivo e algumas ações na rotina é possível ajudar uma criança com TEA a desenvolver a comunicação

A base da diferença no desenvolvimento de uma criança autista diz respeito, especialmente, às alterações na comunicação social! Na maioria das vezes, o pequeno, aparentemente, está crescendo e se desenvolvendo sem atrasos em todas as áreas, até que a família começa a se preocupar: “Como assim ele ainda não fala?”.

Estimular a comunicação de crianças autistas é fundamental e um exercício diário
Estimular a comunicação de crianças autistas é fundamental e um exercício diário (Foto: Shutterstock)

Esse é o sinal de alerta mais aparente de um bebê que, com dois anos, não usa pequenas frases para trocar comentários, pedidos ou trocas simples de sons e sílabas com seus cuidadores.

Existem muitos profissionais e pesquisadores que dedicam suas vidas a compreender e desvendar o comportamento verbal e a linguagem. Isso envolve uma ciência bastante complexa, muitas discussões e uma série de estudos muito aprofundados. Por isso, o profissional da área da fonoaudiologia e psicólogo comportamental são indispensáveis no acompanhamento da criança que está apresentando algum tipo de atraso nessas áreas.

Porém, na primeira infância temos muita pressa para aproveitar aquele cérebro que está no seu máximo potencial de aprendizado. Então, além do apoio especializado, também existem alguns passos que podem ser incluídos na rotina para ajudar a estimular o desenvolvimento da troca comunicativa!

1. Valorizar a emissão de qualquer som

Mesmo os primeiros balbucios já são um exemplo de intenção de interagir! Sempre que acontecer essa forma de comunicação falada, já podemos elogiar, reforçar e dar um retorno positivo. Além disso, dê também algum sentido para qualquer som que a criança emitir. Ela está fazendo barulhinhos com a boca? Inclua isso na brincadeira que vocês estão fazendo juntos.

2. Completar o que acreditamos que ela está tentando expressar

Muitas vezes os adultos e cuidadores sabem o que a criança quer antes mesmo dela pedir. E o que acontece é que acabamos não incentivando aquele pedido, apenas entregamos o objeto ou realizamos a ação que já ‘adivinhamos’. O que podemos fazer para estimular a comunicação, é dizer a palavra completa, dando ênfase tanto à forma de comunicar pela fala quanto ao fato de termos compreendido o que ela quer.

Dessa forma, aos poucos a criança vai associando que aquele comportamento, aquele barulho, trouxe a consequência boa: conseguir o que ela queria. Com o passar do tempo, a associação expande-se, criando a relação entre os sons e vários outros reforços positivos. A partir do momento em que a criança entendeu que há mudanças no ambiente quando ela emite sons, podemos estimular que ela imite sons, repetindo palavras.

3. Ter atenção ao comportamento de imitar da criança

Antes de chegarmos na fala, é essencial que a habilidade de imitação de atos motores já esteja entrando no repertório desse pequeno. Nosso cérebro aprende a partir de olhar o outro e tentar repetir o que ele está fazendo. Sendo assim, se uma criança ainda não consegue imitar, dificilmente terá as habilidades motoras bem desenvolvidas para, então, atingir a imitação verbal.

Por isso que uma das estratégias e dos programas mais importantes nas terapias é a imitação! Imitar é pré-requisito para muitos outros comportamentos, além de ter suas próprias etapas de evolução.

4. Atenção também ao contato visual!

Se esse pequeno ainda não acompanha nossos movimentos, ações e comportamentos com o olhar, será ainda mais desafiador que ele consiga adquirir a habilidade de imitação. Veja, no desenvolvimento infantil existem muitos pré-requisitos. Para repetir uma palavra, a criança precisa saber como imitar os movimentos da boca. E, para aprender a imitação motora, antes de tudo ela precisa imitar nossa troca de olhar, o tão falado contato visual.

Dessa forma fica mais fácil de compreender porque não podemos exigir de um pequeno o comportamento verbal, sem antes ele ter adquirido várias outras habilidades em seu repertório. Seria como tentar pular uma etapa estrutural.

5. Incentive o comportamento de ‘apontar’

Para que uma criança comece a se interessar em desenvolver uma habilidade nova, aquilo precisa ter algum valor, algum tipo de ganho, que seja reforçador para ela. Então, no caso de um pequeno que ainda não está desenvolvendo a comunicação oral, incentivar que ele aponte para as coisas que quer ter já é um ótimo começo! Deixe sempre alguns brinquedos preferidos longe do alcance para seja necessário que ele interaja de forma a pedir a sua ajuda para conseguir o que deseja.

Vá ensinando a criança apontar, dando ajuda física e segurando os dedinhos dela se for preciso, até que ela consiga compreender a importância desse vínculo, da comunicação e da interação. Assim que o pequeno demonstrar com as mãozinhas o que deseja, diga que você entendeu o que ele quer porque te mostrou apontando.

Entender que a comunicação passa pelo outro também é um grande passo do desenvolvimento, que pode ajudar e muito a melhorar a socialização e tudo que envolve trocas interpessoais. Essas são apenas algumas dicas e sugestões práticas para que você consiga, no dia a dia, encontrar formas de estimular os pequenos, seja em casa, na escola, na clínica ou em qualquer ambiente dele!

E lembre-se: a avaliação de especialistas é indispensável! Converse com o profissional que cuida do seu pequeno e peça apoio e orientação do que mais pode ser feito em casa para complementar o trabalho. A participação da família faz toda a diferença e é fundamental no desenvolvimento e generalização da aprendizagem! Contem comigo nessa jornada e vamos juntos oferecer um futuro saudável, divertido e prazeroso para todas as nossas crianças!