Se não é autismo, o que pode ser?

Caso a criança apresente um desenvolvimento atípico, é preciso investigar e procurar um diagnóstico médico

É uma angústia muito grande quando percebemos sinais de autismo ou outros transtornos nos pequenos. Sejam eles nossos filhos, netos, filhos de amigos… É difícil encarar a realidade e dizer para si mesmo e para quem amamos, que vemos características “atípicas” no desenvolvimento de uma criança.

É importante que a criança com atrasos no desenvolvimento façam um acompanhamento multidisciplinar (Foto: Getty Images)

A primeira etapa do processo é a negação. Pensar no quanto aquela criança é esperta, faz coisas “típicas” e é carinhosa, traz um alívio momentâneo. Porém, voltamos a ficar angustiados assim que notamos os outros pontos que estão diferentes do que esperávamos.

Além da observação e acompanhamento constante que trazem essas dúvidas, algumas vezes as crianças têm alterações no percurso de expressão comportamental, principalmente atrasos na fala, mas que não fecham os critérios para Transtorno do Espectro Autista. E aí, o que pode ser?

Chegar em um diagnóstico de transtorno do desenvolvimento, seja ele qual for, não é um processo simples. Exige um raciocínio clínico profundo e uma equipe multidisciplinar, com especialistas que possam avaliar e discutir sobre o caso para, assim, entender qual a melhor forma de dar suporte para a criança e a família.

Existem diversas possibilidades que os profissionais podem observar e analisar. Outros transtornos também podem causar atrasos ou prejuízos. Alguns deles:

  • Deficiência intelectual: traz atrasos por dificuldade de aprendizagem. Nesses casos, é importante levar o pequeno para uma avaliação com uma equipe multidisciplinar, que identifique se ele tem atrasos relacionados ao Quociente de inteligência (QI);
  • Transtorno do Desenvolvimento da Linguagem (TDL): relacionado especificamente às habilidades da fala. É muito importante avaliar dificuldades desse tipo com uma fonoaudióloga especialista, pois existem diversas possibilidades de alterações sensoriais e motoras;
  • Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH): essas crianças podem ter alguns atrasos e dificuldade atencional e de acesso aos estímulos ambientais. Para auxiliar o processo de diagnóstico você pode contar com um médico psiquiatra, neurologista ou neuropediatra.

Mas por que a criança tem algum atraso? Pode ser por ter nascido antes do tempo previsto? A prematuridade por si só não justifica atrasos, mas pode ser fator de risco para diversas alterações neurológicas e precisa de investigação caso com o passar do tempo a criança não atinja os marcadores do desenvolvimento esperados para a idade.

Alguns sinais de síndromes começam a aparecer com o crescimento da criança, assim como algumas lesões na estrutura do cérebro. Nesses casos, para a investigação precisamos de exames genéticos e de imagem. Outra coisa importante é avaliar também a possibilidade de deficiência auditiva! Pode ser que esse pequeno tenha problemas para escutar e não ouça bem todas as frequências de som.

As razões são diversas, bem como as hipóteses diagnósticas. Somente a partir da investigação e da estimulação que será possível alcançar respostas e confirmações de quais, de fato, são os desafios. Mesmo assim, não conseguir definir qual é a natureza dos atrasos não significa que a criança não tenha NADA e que seu desenvolvimento estará dentro do esperado para a idade! Se existem comportamentos alterados ou atrasos, precisamos cuidar.

É importante correr atrás de qualquer prejuízo, independente de diagnóstico fechado. Começar cedo a terapia comportamental com equipe multidisciplinar pode fazer toda a diferença no crescimento do seu filhote!