Halloween pós-covid

A experiência é outra, mas pode ser tão divertida quanto anteriormente

Esta semana meus pequenos se ligaram de que não poderão bater de porta em porta para colecionar doces europeus deliciosos pela vizinhança e ficaram decepcionados. A diversão de passear fantasiado com os amigos pelas ruas do bairro, carregando apenas lanterna e balde é tanta, mas tanta, que eles nem percebem quando eu faço mágica e metade dos doces desaparece no final. Pandemia ou travessura da vida, fato é que este ano, halloween com tumultinho chique por Londres, só ano que vem.

A festa mudou de lugar e formato (Foto: Getty Images)

Halloween era coisa de americano, mas de repente despontou e nos últimos anos virou uma data especial também aqui na Inglaterra. Mas, claro, nem todos os ingleses gostam. Especialmente os mais idosos. Minha ex-vizinha, por exemplo, odiava e chegou a desativar a campainha quando viu que estávamos decorando a nossa entrada compartilhada para receber a criançada. O mal-estar compensou porque meus pequenos amaram ainda mais o processo de entregar os doces do que o de pegar. Era uma euforia quando a campainha tocava e eles faziam questão de fechar a porta, mesmo vendo que mais gente estava prestes a chegar.

Todo dia 31 faz um frio desgraçado por aqui. Mas a gente não desanima. Eu também me divirto e ano passado, mesmo recém-operada de cesárea, dei uma de inglesa descolada: “encapotei” o bebê, escondi ele com camadas de cobertor e capa, me agasalhei, e fomos junto, no nosso ritmo, descobrir o que cada vizinho tinha inventado para nos assustar na entrada das suas casas.

Mas para este ano a ideia era ficarmos ainda mais “profissionais” nesse negócio de doce ou travessura. Desde que nosso terceirinho nasceu, tínhamos programado que nos vestiríamos como a família de super-heróis “Os Incríveis”. Conhece? Por sermos agora uma família de 5, achamos que seríamos perfeitos: a menina mais velha é invisível, o menino do meio é super rápido, o bebê é meio ninja e faz de tudo (desaparece, vira monstro, voa, etc), o pai é super forte e a mãe é elástica! Genial, né? Elástica! Um casal imbatível. Certeza que quem criou essa história tem três filhos.

Resgatei a mãe divertida que existe em algum lugar de mim e anunciei que vou substituir o nosso evento de “doce ou travessura” por um piquenique. Mas não um piquenique comum, não. No nosso piquenique não haverá pepino, nem cenoura ou frutas cortadinhas. Até os sanduiches serão proibidos. No nosso super piquenique só entram chocolates e balas. Só pode porcaria. E olha, devia ter filmado a carinha deles quando disse isso. Acharam que eu estava doida. Surtaram de alegria!