Amamentação: um ato de amor que merece respeito

A mãe precisa de apoio nesse período. Os benefícios são enormes para todos os envolvidos, mas nem sempre a experiência é fácil

Li estes dias um post no Instagram da Mariana Weickert que me comoveu muito. Ela falava de forma muito aberta e direta, bem como é o jeito dela (e que eu adoro) que simplesmente não conseguiu amamentar a primeira filha. Agora, com seu bebê recém-nascido, ela está conseguindo, não sem dificuldade. Uma vitória, sem dúvida, mas que vem depois de muita pressão e muita, muita culpa. O que me comoveu não foi o depoimento sobre a verdadeira luta que é dar de mamar no peito. A gente sabe como é. Todo mundo só fala das maravilhas da amamentação, o que aqui, nesta coluna, está totalmente fora de questão: poder amamentar é uma maravilha e ponto. Mas o que percebi é que ainda falta falar mais e mais e mais sobre a preparação que precisa ser feita para que a amamentação seja possível (fundamental para o bebê), mas não acabe com a mãe.

Amamentar é um ato de amor que merece respeito (de todos) (Foto: Getty Images)

Temos que trabalhar mais sobre isso. Não assustar, muito menos fazer drama. Mas preparar para valer essa mãe para o processo que é o bebê pegar o peito. Tem um passo a passo. Tem medo, tem cansaço, tem o desconhecido, a fragilidade da situação, a falta de sono, a imensa lista de descobertas emocionais e práticas que acontecem a cada momento… E aquele bebezinho ali, dependendo da gente 100%. Não é mole, não.

Nós, na Pais&Filhos, sempre tivemos muito cuidado com esse tema. E fico impressionada de ver que ao longo de todos estes anos que trabalho aqui, olhando para tudo isso com olhos profissionais, a pressão sobre a mulher não mudou nada em termos de compreensão e acolhimento. E isso que me comoveu no longo texto/desabafo da Mariana. De novo: amamentar só faz bem, ninguém discute. Pelo contrário! Incentiva-se. Mas ninguém incentiva ninguém ou coisa nenhuma com julgamento e achando que a mãe que não consegue amamentar não ama o filho, é uma perdedora, deixou de fazer alguma coisa “certa” e blá blá blá. Acho isso injusto e cruel, simplesmente porque não é verdade. Estas mães deveriam é ter o dobro de cuidado e apoio. Até porque é possível criar alternativas, tirar o leite, etc.

O que eu acho mesmo é que o famoso vínculo com o filho se cria é na atenção, no “estar ali” por inteiro. Amor é construção, não tenho dúvida. Eu amamentei na boa. Não tive problemas. Mas com certeza porque fui muito respeitada e ninguém ficou me enchendo, fazendo pressão. Minha filha demorou para pegar o peito, quase sete dias. Aguentamos firmes, na fé, na corrente, no astral bom, sem peso e tenho certeza que isso fez toda a diferença. Eu fiquei confiante e não me sentindo uma incompetente. E aí, depois de sete dias, ela “aprendeu” e foi tudo uma beleza. Eu tinha tanto leite e ela mamava tanto que sobrava, eu até passei a doar leite justamente para estas outras mães, que não conseguiam. Doei com emoção, muito amor e humildade. Isso mesmo. Ter filho coloca a gente no tamanho certo, o ego vai para o espaço. E ainda bem que é assim!