“Em nome da felicidade dos filhos somos capazes de tudo. Mas precisamos entender que não depende de nós”, explica Mônica Figueiredo

Essa é a meta de muita gente, principalmente de quem tem filhos. Mas, na verdade, pouca gente entende o que é ser feliz. E como a gente ensina algo que não sabe?

 

(Foto: GettyImage)

SOBRE SER FELIZ

Essa é a meta de muita gente, principalmente de quem tem filhos. Mas, na verdade, pouca gente entende o que é ser feliz. E como a gente ensina algo que não sabe?

Complicado, esse negócio. A gente fala de ser feliz e de ter felicidade sem pensar muito. Com relação aos nossos filhos, então… A tal da felicidade virou uma espécie de meta, um objetivo a ser alcançado. Repara. Nos tornamos uma espécie de guerreiros de uma cruzada inventada por nós, pobres quixotes, em busca da conquista dessa meta, como se a felicidade fosse um lugar fora de nós. Pior: como se pudéssemos “ter” e “dar” felicidade para quem amamos.

Em nome da felicidade dos filhos somos capazes de tudo, e falamos isso de boca cheia, plenas de orgulho e de ilusão. Você já entendeu que não é você quem vai dar felicidade para seu filho? A ficha já caiu? Tomara que sim. Porque quanto mais cedo você tirar essa responsabilidade das suas costas, melhor. A relação entre pais e filhos já tem taaaaaantas complexidades, não precisamos inventar mais uma. Aí, voltamos ao básico, tão fácil de ser esquecido: a felicidade mora é dentro de nós, dentro de cada um. Ponto.

É claro que podemos e devemos ensinar para o filho que é assim que funciona. Ensinar, guiar, inspirar, tudo isso a gente pode fazer, mas não viver por eles. Isso não rola. Aliás, outro básico-básico: a vida de seu filho é dele, não é sua. E com isso bem claro e estabelecido é que começa a ficar bacana. Vamos viver momentos felizes juntos. Criar estes momentos. Vamos escolher ser feliz junto. Não é demais? E é plenamente possível. Não tenho dúvida que felicidade é uma escolha que fazemos a cada dia, a cada momento, a cada esquina.

Eu tenho encontrado a felicidade com minha filha numas coisas bem bobas e pequenas, como cozinhar para ela. Levar nossa cachorra para passear. Descobrir vídeo de bicho fofinho e ficar rindo dele. Descobrir gifs novos. Jogar carta. Piquenique na praça. Tomar sorvete e se lambuzar. Ver vitrine. Ah… Você entendeu. Coisas bobas, mesmo. Banais. Normais. Não precisa mais que isso. Esse monte de felicidadezinhas juntas tornam a relação forte, saudável, prazerosa. Porque tem horas que a gente fica triste, e normalmente quando a tristeza chega, não temos escolha, não. É preciso estar forte. E a força vem daí…

Compartilhar a vida é criar esse monte de felicidades e cuidar bem delas. Filho quer isso. Saber que você está ali, segurando a onda dele. E prestar atenção. Colocar reparo. Se ligar no detalhe. Tá calor? Bateu um ventinho? É isso, isso mesmo: felicidade.

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