Lockdown, down, down… É hora de dar um “up”

A pandemia criou complicações para todos, isso é um fato. Porém, podemos tirar lições e proveitos dessa fase, seguem algumas recomendações

Lembra daquela música da Rita Lee, que a Elis canta, o “Alô, alô, marciano”? Então… Ela simplesmente não sai da minha cabeça, com essa ligeira adaptação na letra: “Está cada vez mais lock-downdowndown no high society”… Cara! Quando será que isso vai acabar? Óbvio que essa é a pergunta de um trilhão de dólares, óbvio que está todo mundo exausto, pelo menos os que estão respeitando… Aqui em Lisboa não tivemos escolha. Trancados com tudo fechado desde janeiro. Mas não estou escrevendo esta coluna para falar sobre o que todo mundo sabe e ninguém aguenta mais. Quero te falar da Alice.

É preciso encontrar algumas formas de retomar as energias em meio à pandemia (Foto: Shutterstock)

Alice é um bebê de  pouco mais de um ano e é uma das pessoas mais incríveis do planeta. Mora em Londres, com sua mãe e seu pai. Pois essa lourinha dos olhos muito espertos e muito azuis mudou completamente os meus dias, transformando meu lockdown em “lock-UP”. Graças ao Instagram da Morgana, mãe dela. Insta suuuuuper bem feito, delicado, que transborda amor. E isso que me chamou a atenção e me comove diariamente (graças a deus ela posta bastante!). Corre lá: @morganasecco.

Descobri a página à toa, apareceu na minha frente um vídeo da Alice fazendo ioga. Gente, uma delícia! Na hora já mandei pra Antonia, minha filha, que faz ioga e tudo podia ter ficado por aí: mais um vídeo fofo de um bebê fofo, tudo fofo, e que  a gente sempre ama. Acontece que viciei nele. Assisti mil vezes! Não larguei nunca mais. Compartilhei com mais gente. Adoro que ela termina a série dos “exercícios” falando dela mesmo: “Que linda!”. É, aquela menininha estava me fazendo bem. Muito bem. Que astral, que vibe! Fora do normal mesmo.

Fui atrás, né? Tipo “quero mais”. E é aí que eu queria chegar. Quando entrei na página, entendi tudo. Morgana é uma fotógrafa de família, brasileira, que mora com o marido Luiz Gustavo, em Londres e nessa pagina vai contando as aventuras da filha única, por enquanto. O que tem de especial? A forma como eles criam a Alice. O modo deles olharem para a filha. O cuidado, a verdade, paciência, o carinho, o respeito que transborda a cada postagem. A cada evolução da Alice, a cada conquista, a cada descoberta. Eles ouvem aquele bebê.

Tudo o que venho falando há anos se materializou ali na minha frente, vendo eles viverem a vida: educar dá trabalho, Dá! Muito. Precisa dedicação. Precisa gostar. Mas pode e deve ser tudo isso feito com leveza e prazer. Está na cara que eles gostam de estar ali com ela. A resposta não podia ser outra: Alice é, antes de tudo, segura. E para mim, nada mais lindo do que ver uma criança crescendo assim,  se sabendo amada e respeitada. Respeitada no seu ritmo, na sua maneira de se desenvolver.

E olha que tem lockdown lá também. O apartamento é pequeno. Todos aqueles perrengues que a gente conhece  bem. Se eles tem problemas? Devem ter, é claro, quem não tem? Mas não vem ao caso. São família margarina tipo exemplo, chata? Não, nada disso. São absurdamente normais. Nem me parece que tenham essa pretensão também. Mas o fato é que estão ali, inteiros, nessa tarefa linda que é criar um filho. Não é o que eles dizem. É o que eles mostram. O que a gente vê. Ponto.

Você também vai gostar deles. É bom ver que tem mais gente de verdade que esta conseguindo. Inspira, da alento. Como aconteceu comigo: enche de esperança. Passei a acreditar que um mundo de Alices é e será com certeza um mundo melhor. Em tempo: não sou amiga deles, não conheço, nada. Sou uma simples seguidora, grata e apaixonada pela Alice. E como não sei guardar para mim as coisas que descubro e que acho maravilhosas, aqui estou eu. Vai lá, depois me conta.