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“Não sei também é resposta”, afirma Mônica Figueiredo

E deveria ser mais usada. Afinal, algumas coisas simplesmente não funcionam

“Não sei” também é resposta (Foto: Arquivo pessoal)

Sim, sim, sim, a saga é conhecida por todos nós: desde o dia em que nos tornamos pais, enfiamos na cabeça que temos que saber tudo. Missão impossível total. Como se não bastasse o lance da culpa absurda e maluca que passa a nos atormentar cruelmente a cada segundo, o que já bastaria…

Não! Tem também essa agonia: a necessidade de SABER TUDO em relação ao filho, ter todas as respostas, a sabedoria para julgar questões complicadíssimas em segundos, em mostrar caminhos, em resolver situações nunca antes navegadas… Puxado!

Educar é difícil pra caramba, ninguém duvida, mas acho que muitas vezes tornamos este trabalho ainda mais duro. E tudo porque não sabemos dizer “não sei”. “Não sei” não é deixar para lá, lavar as mãos. Nada disso. Não saber é admitir que precisamos aprender, que precisamos de tempo para pensar, para poder arbitrar, pra podermos encarar as inúmeras novas situações que aparecem com o mínimo de tranquilidade e força.

Conseguir dizer “não sei”, na paz, sem medo e sem culpa, quando a intenção é procurar saber, acaba dando uma segurança incrível para nós mesmos e para todos a nossa volta, sabia? É muito libertador que o “não sei” pode ser só uma passagem e percebemos que é tudo um processo. Que nunca acaba. E vamos combinar? Aprender, descobrir coisas novas, adquirir conhecimento, abrir a mente, é a maravilha da vida. Mas, o melhor de tudo é a descoberta que “não sei” é resposta. Válida, legítima.

Tem não, tem sim e tem não sei. Pode ter certeza: se você não aceitar os seus “não sei”, como vai poder ouvir as milhares de dúvidas de um filho em crescimento? Como entender, ter empatia, apoiar? Aqui em Lisboa, tenho convivido bastante com a Lara. Ela tem 4 anos, é brasileira, mora aqui desde julho passado com os pais.

Sou amiga da mãe dela faz tempo: Alice Abramo, ilustradora, editou uma das edições da Pais&Filhos Casa, e aqui em Portugal faz um trabalho lindo com crianças. Oficinas de arte, sabe? Beem legal. O Instagram dela é @aliceartclub. Vê lá o que ela apronta.

Eu e a Lara, de 4 anos. Ela é filha de uma amiga de longa data, Alice Abramo, e é com quem venho aprendendo muito nos últimos tempos (Foto: Acervo pessoal Pais&Filhos)

Bom, a Lara tem sido uma aula diária para mim. São cinco milhões de perguntas diferentes por minuto, e essa questão do “não sei” passou muito por vê-las, mãe e filha interagindo. Eu já sabia, mas tinha me esquecido e acho que nunca falei isso aqui: mesmo o que sabemos, enquanto mães, e usamos na nossa lida do dia a dia, também tem horas que simplesmente não funciona… E aí? Fazer o quê? Uma regrinha que ontem era perfeita, hoje não rola.

A tática de por para dormir, ou fazer comer… E aí? Nós que fracassamos? A regra era ruim? Fica tranquila, não vou dizer não sei… Por que essa eu sei, sim: somos todos, em qualquer idade, seres vivos e mutantes! E isso que é bom, que é mágico! Estar aberto para isso faz a diferença. E nossos filhos já vêm com isso bem sabido. Eles sabem que cada dia é único, raro, lindo e DIFERENTE. Por que crescemos e estragamos tudo?

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