“Quando nossos filhos se sentem de fato respeitados, eles crescem seguros, com autoestima”, acredita Monica Figueiredo

É desde novinho que vamos criando a relação que teremos com nossos filhos no futuro… Amor é também trabalho e construção

Quando nossos filhos se sentem de fato respeitados, eles crescem seguros (Foto: Getty Images)

A primeira série que Antonia, minha filha, me “apresentou”, que ela escolheu sozinha para assistirmos juntas, foi Gilmore Girls. Descobriu, colocou na roda e inverteu aquele fluxo de “mãe mostra e apresenta e filho assiste”. Adorei. As referências e identificações que a série trazia eram muito óbvias e apenas embarquei.

Adorei a inversão teórica dos papéis, afinal, troca é isso, né? Naquela época, assistíamos às séries comprando as caixas de cada temporada em DVD, quem lembra? Demorava muuuito entre uma e outra… Mas era o que era. E já fazíamos maratona. O dia inteiro. Ah, que delícia. Somos fãs da série até hoje. E vire, mexe a gente vê tudo de novo. Uma delícia. Depois desta vieram muitas e muitas séries. Só podíamos ver juntas, tinha que esperar. Não importa se vão fazer aquilo pra sempre, mas sim o respeito, a convivência e a parceria. Ver um episódio novo sem a outra nunca rolou, porque isso seria uma traição insuperável.  E isso que era bacana e que eu queria dividir com você: a delícia que é fazer coisas junto com eles.

A gente não precisa concordar com tudo. Nem se identificar. Mas é fundamental nunca esquecer que é no respeito que o amor cresce (Foto: Getty Images)

Os filhos vão crescendo, os interesses vão mudando e é claro que é fundamental ir criando o espaço dele, só dele, respeitando individualidades e personalidades. Como é importante aquela primeira noite que eles vão sozinhos dormir na casa de um amigo, né? Tem que deixar, mesmo que for para ir buscar no meio da madrugada. Faz parte. Mas isso não quer dizer que a gente não possa criar, descobrir e alimentar interesses em comum que crescem junto com a criança e só fortalecem a relação. E isso é único de cada filho, não funciona no pacote.

Claro que tem as atividades da família, geral, que inclui todo mundo, mas não é isso. Hoje estou falando do enorme prazer, do tão gostoso e importantes que são essas exclusividades… Faz o banal virar especial. Cria cumplicidade. Um elo forte pra caramba.

Aqui em casa, percebemos que, para nós, assistir a filmes, séries e desenhar era o tal espaço só “nosso”. Embarca. Promove, organiza, mas deixa rolar pra valer a troca. Vai desarmado. Deixa o filho escolher também. Cria parceria. Valoriza a parceria. Não queira resolver tudo e impor o seu gosto, o seu jeito, porque, aí, desanda legal.

Assistir a um filme junto com o filho não é entregar um iPad na mão dele e “ufa, vou fazer minhas coisas”. Ok, este sempre é um recurso para aquelas horas que o bicho pega. Mas estou falando do prazer de estar junto. De conversar sobre, de ver ele aprendendo, criando gosto, preferência, descobrindo como ele é. Arte, nisso, é fundamental: os livros que a gente lê à noite e que se transformam num hábito, a música, a cantoria, o balé… Aprender a tocar um instrumento, fazer e se envolver prazeirosamente com um esporte. Tantas formas lindas de ir mostrando o mundo pra eles, não é? Não importa se ele não vai fazer aquilo pra sempre.

Antonia aprendeu piano e a ler música antes mesmo de saber escrever. Foi natural. Hoje ela não toca nada, mas qual é o problema? Essa música toda deve estar em algum lugar lá dentro. É isso. Chegamos onde eu queria, no respeito. Quando nossos filhos se sentem de fato respeitados, eles crescem seguros, com autoestima. Cabe a nós essa tarefa. Porque respeito é construção, admiração mútua. Não vem na marra e muito menos no grito. Vem da convivência mágica, da magia de se sentir ouvido. A gente não precisa concordar com tudo. Nem se identificar. Mas é fundamental nunca esquecer que é no respeito que o amor cresce. Não só o seu para ele, como o dele para você.

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