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O pouco tempo que nos resta

(Foto: iStock)

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Tic tac, tic tac, bate o relógio. Você abre os olhos na segunda-feira e, quando se dá conta já estamos na sexta. Essa vida está cada dia mais louca e acelerada. Pare o mundo, por favor! Quero pelos menos conseguir apreciar esse tempo passar por mim.

Consegui capturar meu filho de 10 anos em um dos raros momentos de carinho entre nós: nosso denguinho de mãe e filho. Ele adora e fica todo mole. Eu ali, com aquele moleque quase do meu tamanho, fazendo movimentos de vai e vem nas costas dele. Começo a observá-lo e percebo alguns pelinhos crescidos em algumas partes do corpo. Ele está na pré-adolescência e começando aquele momento básico que os filhos se distanciam dos pais. Ei, para com isso! Por quanto tempo eu ainda terei ele pertinho de mim nessa coisa nossa de dengo?

Dez anos é uma idade muito louca. Eles começam a amadurecer e várias coisas perdem a graça. Eles começam a ter vergonha das piadinhas que fazemos, das fotos que tiramos e mudam de assunto quando não estão afim de papo. Ah, também já meio que decidem o próprio rumo aos finais de semana.

É nítida a transição da criança pro menino que daqui a pouco será um adolê cheio de questionamentos e crises da vida.

(ou já é?)

Não preciso de muito para lembrar do Gabi aos 2, 4, 6 ou 8 anos. Não preciso de muito para ter saudade. Sorte a minha que ainda posso viver essa fase macia com Rafinha, que está com quase 5. Mano do céu, como passa esse tempo.

Nessas horas eu me pergunto como posso aproveitar mais os momentos que estamos juntos. Será que aprender a jogar Fortnite resolve? Inventar algum programa mais adolescente para fazermos, talvez? Será que se formos ao cinema ou a uma exposição, algo só nosso, eu consigo ficar mais pertinho do meu filhote?

Eu fico aqui em busca de mil alternativas, tentando salvar as poucas horas que temos juntos e driblando a culpa por passar tantas horas longe de casa. E eis que ele me grita chama e pede para que eu sente perto dele.

De bate e pronto tira a camiseta e coloca a cabeça no meu colo. “Faz cosquinha nas minhas costas”, ele pede.

Avemaria, como eu gosto de fazer isso!

Nessa hora eu percebo o quanto estamos conectados e cúmplices. Como é forte o nosso elo entre mãe e o filho. E tempo nem idade vão separar isso. Espero.

(sim, maternidade é que nem videogame. A cada fase fica mais difícil!)

(e eu sigo tentando jogar Fortnite.)

Venha, filhote, estarei sempre aqui para fazer denguinho nas suas costas!

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Mais amor, por favor!

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