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Um assunto sério e delicado

Não podemos transferir para outros a responsabilidade de educar nossos filhos

(Foto: iStock)

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Muita gente fala que criar filho é que nem videogame: a cada fase fica mais difícil. Hoje, eu passo alguns perrengues com o meu, de dez anos, e ele ainda está na pré-adolescência. Estamos absolutamente de olho em todos os movimentos, amizades e comportamentos. Mas esses dias aconteceu um episódio que me fez pensar ainda mais na importância de estarmos perto: a precoce convivência entre os adolescentes e o álcool.

A cena foi com uma criança de 12 anos que acabou sendo levada para o hospital praticamente inconsciente, por ter ingerido uma grande quantidade de vodca. Doze anos. Dois a mais que o meu filho. Num ambiente que a gente frequenta e que as crianças ficam relativamente livres. O que levou a esse fato eu não sei. A questão aqui é outra. Como cuidar dos nossos adolescentes?

Escuto muito que a escola tem que pegar firme na educação sexual e no combate às drogas.  Escuto também que é preciso selecionar o tipo de amizade das crianças. Mas ouço muito pouco sobre o papel dos pais na criação dos seus próprios filhos. É loucura minha ou temos uma inversão de papeis?

Não podemos transferir para outros a responsabilidade de educar nossos filhos. De estarmos perto e alertá-los, de ficarmos com os dois olhos abertos e, o mais importante: conversamos muito! De forma aberta e esclarecedora.

Hoje eles têm acesso a muitas informações e a internet é um mundo com coisas boas e ruins. A influência que um exerce no outro, durante a adolescência, é enorme. E a curiosidade é proporcional.

E como nós, pais, lidamos com isso? Eu ainda estou aprendendo, mas tento sempre estabelecer diálogos abertos, falando a real, mostrando exemplos e deixando bem claro que meus filhos podem contar com a gente para qualquer coisa. E que perguntem, sempre! Se acharem algo estranho ou não se sentirem confortáveis, não façam. Parece clichê ou pequenas atitudes sem resultados. Mas não são. Estar perto, conversar e escutar (sem julgamentos) é muito importante.

Olha um exemplo bobo que acontece na minha casa: meu filho não associa o vinho ao álcool. Posso encher a minha taça diversas vezes que, na cabeça dele, é ok. Se eu tomo uma cerveja, no copo, na garrafa ou na latinha ele fala: mamãe, não vai ficar bêbada. Coisa de cabeça de criança. Associações ou referências. Acredito que alguma vez ele tenha me visto “alegrinha”, enquanto tomava uma cervejinha. Virou referência.

E pra gente é muito claro que existem muitas coisas que os adultos podem fazer e as crianças não. Mas, e nas famílias que esse discurso não é estabelecido? As crianças crescem achando que cerveja não é droga e que tudo bem se elas experimentarem? Não sei.

O que me preocupa com relação à bebida alcoólica é a facilidade que os adolescentes têm para comprar. Basta um RG, verdadeiro ou não, para 15 reais serem investidos numa garrafa de vodca. E a gente sabe disso, porque já fomos adolês.

Me preocupa a falta de diálogo entre pais e filhos. Me preocupa esse excesso de liberdade no mundo virtual. Me preocupa que as pessoas só prestem atenção a este tema quando um adolescente se alcooliza.

Precisamos voltar algumas casas. A culpa não é do menino de 12 anos. A culpa é nossa. Dos pais ou de quem cria.

Vamos pensar (e falar) sobre isso.

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