Acolha, ouça e respeite a mãe ou pai que você é

A possibilidade de perder um filho mudou minha vida. Quando tudo passou, minha filha estava super bem, mas demorei para descobrir que eu não estava

Esse mês comemoramos mais um Dia das Mães o que me trouxe a memória uma experiência vivida neste mesmo dia, há 7 anos. O primeiro Dia das Mães da Nina, nossa filha mais nova. Ela tinha apenas 5 dias de vida e o Theo, seu irmãozinho (então com 5 anos) pulava pela casa, aguardando o momento de sairmos para o almoço das “Mães” na casa da Bisa.

Pedir ajuda é necessário, assim como aceitar seus limites como pai e mãe
Pedir ajuda é necessário, assim como aceitar seus limites como pai e mãe (Foto: Shutterstock)

Nina estava pronta, acomodada no bebê conforto de lacinho vermelho. Papai e Mamãe tentavam organizar tudo para estarem com o restante da família no primeiro passeio da pequena, que aconteceria num dia tão especial. Entre um “vai pra lá”, “corre pra cá”, percebemos a Nina “roxa”, tentando respirar… As quatro mãos atrapalhadas, tremiam na tentativa de desprendê-la do cinto de segurança, que deveria estar indo para o carro.

Paulo, meu esposo, tentou alguns procedimentos. Respiração boca-a-boca, aquelas batidinhas nas costas, de um bebê de menos de 3 kg… Meu choro desesperado se misturava com uma tentativa de oração até que, graças a Deus, muito fraquinha ela começou a “voltar”. Nos deslocamos rapidamente para o Prono Atendimento.

Nina estava melhor, mas a médica achou por bem encaminhá-la para a UTI! Em pleno Dia das Mães eu entrava numa ambulância e, os 5 dias que se seguiram foram os mais difíceis da minha vida. Apesar de receber notícias diárias de que ela ficaria bem, dormir longe do seu bebê recém-nascido, com o leite escorrendo pelo corpo, mudou minha história.

Amigos e familiares entravam em contato em busca de notícias e, a resposta era a mais pura verdade: “A Nina está bem!”. O que eu não conseguia enxergar, nem compreender é que eu não estava nada bem. Pra falar bem a verdade, foram necessários alguns anos para que eu compreendesse o tanto que essa situação me afetou e me afeta até hoje.

Porque escrevo isso? Olhando para trás, e para os anos que se seguiram, não é difícil encontrar uma Nicole solitária, mesmo rodeada por pessoas. Uma mãe tentando dar conta de tudo, com pouco tempo até mesmo para refletir em como precisa de ajuda. Pedir ajuda não deveria ser tão complicado. Reconhecer que não conseguimos dar conta de tudo, também não. E é bem importante que esses “padrões” tão altos, irreais e impostos precisam ser desconstruídos de uma vez por todas.

Por isso meu convite é de mais acolhimento, respeito e atenção à mãe ou pai que você é. Para que nossos filhos estejam realmente bem, nós precisam estar… Isso me lembra das instruções recebidas antes do avião decolar. Em caso de emergência, coloque a máscara EM VOCÊ, para ter condições de colocar nas crianças. Não demore para “se ouvir”. Permita-se sentir os sinais do seu corpo… Acredite, a ajuda estará bem perto.