Dia das Crianças e Professores no mesmo mês: não é por acaso

Duas partes que se completam, que somam que formam o futuro. Por isso, outubro merece todas as comemorações possíveis

**Texto por Roberta e Taís Bento, mãe e filha, embaixadoras da Pais&Filhos e fundadoras do site SOS Educação

Crianças e professores, uma relação que se mostrou ainda mais essencial durante a quarentena (Foto: Getty Images)

Um dos aprendizados que vamos levar deste ano é o quanto “professora” e “criança” são palavras que se completam. Sem dúvida, que sempre soubemos da importância que um professor tem na vida de nossos filhos. E do quanto a valorização de que tanto falamos, mas tão pouco praticamos, está para lá de atrasada por aqui. Só que este ano, o mês de outubro tem um gostinho a mais. Mesmo que celebrar o dia do Professor e comemorar o Dia da Criança tenha sido sempre um enorme prazer, há um sabor especial em 2020.

Talvez nunca tenha sido coincidência a comemoração dessas duas datas em um mesmo mês. Quem sabe o destino já estivesse sinalizando e nós não tenhamos parado para pensar sobre isso. E agora é impossível “desenxergar” o que saltou aos nossos olhos, ouvidos e coração: as crianças e suas professoras formam uma parceria que torna a vida de cada pessoa muito melhor.

Não só a das crianças e das professoras, mas especialmente a nossa, dos pais e responsáveis. Ao contrário do que vimos com tristeza em algumas postagens, não foi um susto para os pais ficar tanto tempo com os próprios filhos.  Não é verdade que as famílias não conheciam suas crianças, tampouco que não sabem como lidar com seus próprios filhos.

A realidade é que as crianças que ficaram em casa, por tanto tempo, sem poder ir para a escola e abraçar suas professoras são outras crianças. Somos o resultado das relações que construímos, das conversas que temos, das palavras que ouvimos e do afeto que recebemos. E nenhuma relação, palavra ou afeto substitui outro.

Ficou um vazio enorme no coração e na mente das crianças quando tiveram que passar tanto tempo longe dos seus professores. Um buraco impossível de ser descrito. Uma lacuna com a medida exata da segurança, dos ensinamentos, do carinho que a professora consegue passar, e mais ninguém.

Quantas mensagens recebemos de famílias que estavam fazendo de tudo, sendo a melhor mãe, o melhor pai, a melhor cuidadora que uma criança pode ter. E ainda assim, depois de algumas semanas, surgiu o choro sem explicação e a tristeza sem precedente.

Se até mesmo para os adultos mais equilibrados, entender a mistura de sentimentos foi difícil, é de se esperar que as crianças não consigam entender, nem elas mesmas, de onde vem tanto sentimento novo e confuso. Mas nós podemos fazer uma aposta, sem a mínima chance de errar: a saudade daquela professora, a quem, teoricamente, mal tiveram tempo de se apegar, bateu forte.

Esse mês de outubro merece um verso novo na canção de Abdullah e Cacá Moraes: “Criança sem professora, sou eu, assim sem você”!