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A teoria da relatividade dos super-heróis

"Sempre pensei que a maior qualidade que eu gostaria de nutrir nos meus pequenos era a curiosidade"

(Foto: iStock)

“Sempre pensei que a maior qualidade que eu gostaria de nutrir nos meus pequenos era a curiosidade”(Foto: iStock)

Minha filha tem 9 anos. E na escola internacional dela, explora-se muito mais os projetos com matérias integradas do que as aulas separadas em blocos de ciências, matemática ou línguas. Eu que antes amava esse sistema, hoje tenho certas críticas. Acho que algumas vezes os alunos se apoiam nas suas aptidões e pouco exploram o exercício daquilo que não têm tanta facilidade.

Porém, minha filha, talvez pelo Sagitário em seu Sol, talvez pela escola de projetos aqui na Ásia, ou ainda pelo Jardim de Infância mega criativo que ela foi no Brasil, é extremamente curiosa por tudo que conto para ela, o que ajuda muito a ela aprender em qualquer formato. E, com isso, me satisfaço, pois sempre pensei que a maior qualidade que eu gostaria de nutrir nos meus pequenos era a curiosidade. Afinal, curiosos, eles podem aprender qualquer coisa e se tornarem qualquer pessoa.

Outro dia ela veio na sala, pedindo para assistirmos juntas ao documentário sobre a juventude do Einstein. E, óbvio, eu achando o máximo tudo aquilo, achei natural que ela achasse muito complicado entender algo depois dos primeiros 15 minutos iniciais, foi quando então que mudamos para o X-Men.

Mas dela vem as coisas mais geniais. E como são perguntas intervaladas somente pela sua respiração, por vezes fico totalmente exausta de pensar tanto. Adicionem ao fato da filha de 9 ser extremamente curiosa, o filho de 4 estar na fase dos porquês, e entendam meu dia.

Pois é que nestas últimas semanas de almoços juntas nas férias dela, muitos assuntos vieram. Como a observação da luminária de 4 lâmpadas, que gerava 4 sombras de colheres na mesa. Ou a discussão sobre uma possível cena da maçã caindo da árvore sobre Newton, seria vista na mesma velocidade do “Newton-deitado” ou do “Newton-pulando”, quando ela do seu jeitinho, acabou explicando muito bem o que era relatividade na sua resposta.

Ela me trouxe ainda, numa destas conversas em meio a refeições, que já existem colchões que flutuam sobre chão e que pessoas podem dormir em cima deles, e antes de eu vir com o clássico “colchões não flutuam”, ela veio assertivamente falando que era um experimento por magnetismo que ela viu no Bright Side (canal genial do Youtube para crianças bilíngues, by the way).

E por fim perguntei “Filha, se pudesse fazer uma única pergunta para Deus, ou para o Universo, como você preferir, e esta fosse a única pergunta de toda sua vida, que você tivesse certeza total da resposta, qual pergunta você faria?”

Ela pensou e pensou virando seus olhinhos de água do mar e disse:

– Poderiam ser duas coisas, mamãe, por favor?

– Tá bom filha, Quais seriam?

– Eu perguntaria primeiro se um dia eu vou conseguir voar e segundo o por quê dos super-heróis usarem cuecas em cima das calças, mamãe, porque eu sei que estas você não sabe me responder.

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