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Como se preparar para engravidar mais rápido

Alguns fatores podem fazer toda a diferença no processo

(Foto: iStock)

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Ter filhos muda nossa maneira de viver a vida, muda nossos conceitos, novos valores e ideais. O objetivo da grande maioria dos casais ao tomarem essa decisão é ter um bebê saudável. Para isso, planejamento é fundamental para minimizar riscos e aumentar a chance de sucesso. Engravidar e dar à luz exige um preparo físico e psicológico para poder “driblar” os obstáculos que surgem ao longo desse percurso. A mágica da vida é mais complexa do que se imagina e muitos fatores contribuem para essa “magia” acontecer.

O primeiro passo para aumentar as chances de uma gestação saudável é se atentar ao relógio biológico. Sabemos que a mulher moderna tem adiado a gestação, priorizando a carreira profissional, estabilidade financeira e conjugal. Por outro lado, o envelhecimento dos óvulos e a queda da fertilidade feminina são afetados pela idade, diminuindo as chances de gestação e aumentando as chances de abortos  e nascimentos de bebês com síndromes cromossômicas. Em relação aos homens, sabe-se que bebês nascidos de pais acima de 50 anos têm mais chances de autismo.

Embora esses fatores relacionados à idade não possam ser modificados, diversos outros fatores influenciam na gestação e podem ser analisados e tratados, aumentando as chances da chegada do sonhado bebê saudável em casa.

É recomendável que o casal esteja com saúde plena, física e mental, tenha uma dieta saudável, faça atividades físicas ponderadas e baixa sobrecarga emocional.

Seguem algumas recomendações para o casal conseguir engravidar mais rapidamente e de maneira saudável:

Dieta da fertilidade

A obesidade e a magreza extrema podem ser prejudiciais tanto à fertilidade como à gestação. O excesso de peso pode dificultar a concepção e traz também complicações para a gestação, como favorecer a hipertensão arterial e o diabetes gestacional. Os dois extremos, o peso muito acima e o peso muito abaixo do ideal, podem ser prejudiciais. Sabemos que a obesidade feminina ou masculina diminui a chance de gestação em até 30%.

A dieta lowcarb é mais recomendada para aumentar as chances de gravidez. Deve-se evitar doces e carboidratos refinados, como farináceos (pão, macarrão, massas, bolos, etc) e aumentar a ingestão de gorduras poli-insaturadas e ricas em ômega 3 ( salmão, atum, abacate, castanhas, amêndoas).

 Suplementos Nutricionais

Já foi muito divulgado nos últimos anos sobre a importância do ácido fólico antes da concepção. O ácido fólico age evitando alterações do sistema neurológico do bebê e deve ser administrado em todas as mulheres com desejo reprodutivo. Muitas mulheres usam por diversos meses e quando a gestação não acontece, abandonam a suplementação, aumentando o risco de deficiência. Atualmente, sabe-se da importância da suplementação do metilfolato, a forma ativa do ácido fólico, pois boa parte da população tem deficiência de uma enzima que converte o ácido fólico no metilfolato. Outras vitaminas antioxidantes, como as vitaminas C e E, podem melhorar a qualidade dos óvulos e espermatozoides. O uso do DHEA e Coenzima Q10 são indicados para mulheres mais velhas. Outros suplementos, como L-Carnitina, L-Arginina, zinco, vitamina B6, B3 e B12 também ajudam na qualidade de óvulos e espermatozoides. E mais recentemente, muitos estudos mostraram a importância da vitamina D para melhorar a fertilidade e diminuir riscos de aborto precoce, pré-eclâmpsia.

Atividade física

A atividade física ajuda no bem-estar, no controle de peso e na regulação dos hormônios controlam a ovulação e produção de espermatozoides. Porém, algumas atividades devem ser evitadas para quem está tentando engravidar. Esforços físicos intensos como maratonas e exercícios com alto catabolismo devem ser evitados. Para os homens, praticar ciclismo por mais de 3h por semana diminui a fertilidade por interferir negativamente na produção de espermatozoides.

Bebidas alcoólicas e café

Tanto na mulher quanto no homem a bebida alcoólica interfere negativamente na fertilidade. Na mulher, nos hormônios femininos, causando problemas de ovulação, aumentando o risco de aborto e complicações na gestação e na saúde do bebê.

O consumo máximo semanal deve ser limitado a 2 doses de destilado ou o equivalente a 4 latas de cerveja. Devemos lembrar que o álcool atrapalha a perda de peso e pode boicotar a dieta.
O café tem efeito negativo sobre a fertilidade pelo aumento de radicais livres e é recomendado uma ou no máximo duas xícaras por dia. O café descafeinado está liberado.

Tabagismo

Diversos estudos comprovam seu efeito deletério sobre a saúde reprodutiva. A fertilidade é reduzida em 25% nas mulheres que fumam até 20 cigarros ao dia, e 43% naquelas que fumam mais de 20 cigarros; ou seja, o declínio da fertilidade tem relação direta com a dose de nicotina. Durante a gestação, o fumo pode aumentar a incidência aborto (em 27%), de placenta baixa, de descolamento prematuro da placenta e parto prematuro. Homens e mulheres fumantes têm chance três vezes maior de sofrer de infertilidade quando comparados àqueles que não fumam;

Redução da carga de estresse

Não é uma tarefa fácil, pois nós vivemos quase obrigatoriamente os estresses causados pelo cotidiano, como o trânsito da cidade, problemas comuns no trabalho e familiares. Entretanto, quando os pacientes sentirem que o seu nível de tolerância às frustrações da vida é pequeno, ou mesmo que o desejo de gravidez é grande demais e o bebê que ainda não veio está causando sofrimento exagerado ou fora do controle, devem procurar técnicas de relaxamento que se adaptem ao seu perfil: ioga, acupuntura, medicina chinesa, distração, lazer, esporte ou apoio psicológico. Seja qual for a escolha, o importante é tentar diminuir essa sobrecarga emocional. Isso facilitará a gestação.

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