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Fertilização in vitro: análise genética diminui risco de abortos e síndromes cromossômicas

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Publicado em 05/06/2018, às 15h20 por Dr. Rodrigo Rosa Filho


(Foto: iStock)
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Ao escolher o método de reprodução assistida a ser realizado, médico e paciente devem estar cientes que o sucesso vai além do teste positivo de gravidez. O principal desejo dos tratamentos de fertilização é ter um bebê saudável em casa. Durante os tratamentos de fertilização in vitro, a taxa de gravidez é inversamente proporcional à idade do óvulo, pois quanto maior a idade, menor a qualidade e pior é a taxa de sucesso. E a idade do óvulo também reflete na taxa de aborto. Assim como na gestação espontânea, o risco de aborto aumenta com a o avançar da idade materna, pois também está relacionado com a menor qualidade do óvulo.

Nesse processo, a qualidade do embrião pode ser decisiva para que a reprodução dê certo. Por isso, o rastreamento genético pré-implantacional do embrião (ou o chamado PGS, sigla em inglês para Preimplantation Genetic Screening) feito em tratamentos de fertilização in vitro (FIV) são cada vez mais incorporados na rotina das clínicas. A análise identifica possíveis doenças cromossômicas e aumenta as chances de nascimento de bebês saudáveis.

Quando é transferido um embrião para útero sem essa análise em uma mulher de 30 anos, a chance de sucesso é alta e o risco de aborto é baixo, pois o óvulo apresenta boa qualidade. O risco de aborto seria o mesmo de uma gestação espontânea na mesma idade (cerca de 15% aos 30 anos). Porém, quando o embrião é transferido sem o teste genético em uma paciente de 40 anos, a chance de implantar é de 15% e a chance de aborto após a gestação chega a 40%. Vale lembrar que se essa mulher de 40 anos tentasse engravidar esponteamente, a chance de gravidez em 1 mês de tentativa seria de 7% e teria os mesmos 40% de chance de aborto. Quando é realizado o PGS ( avaliação cromossômica pré-implantacional), a chance de implantação do embrião passa a ser de 60% e o risco de aborto caiu para 5%. Sendo assim, o teste aumenta as chances de gravidez por cada embrião transferido e as chances de um bebê saudável em casa também.

Durante o teste genético, uma ou mais células do embrião são observadas com o objetivo de verificar se há anormalidades cromossômicas como a Síndrome de Down, Edwards, Turner, entre outras. Também é possível avaliar doenças ligadas aos genes, como anemia falciforme, distrofia muscular, entre outras. Muitos casais procuram a fertilização in vitro para evitar que seu filho tenha determinada doença frequente na família, mesmo sem diagnóstico de infertilidade.

A realização do exame cromossômico é mais indicada para mulheres com idade acima dos 37 anos, característica que aumenta as chances de desenvolvimento de alterações no embrião.

Pacientes que possuem casos de abortos de repetição, falhas sucessivas em ciclos anteriores de FIV ou casais que desejam realizar a transferência de um embrião único, também devem realizar os exames extras. Em seguida, os embriões com resultados normais são selecionados para a transferência para o útero da mãe.

O diagnóstico genético pré-implantacional realmente veio para ficar e com os avanços das técnicas, sua indicação será cada vez maior.

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