Por que exigir perfeição de pais e mães?

Se não existe nenhum ser humano perfeito, não faz sentido buscar esse ideal na parentalidade

“Dar conta de tudo” é, talvez, uma das expressões mais utilizadas nas redes sociais, especialmente quando se trata de cuidar de filhos, casa e trabalho. “Como você consegue dar conta de tudo?” Essa pergunta é uma das que eu mais recebo através de mensagens diretas nas minhas redes sociais.

Errar faz parte da parentalidade. Não se cobre tanto
Errar faz parte da parentalidade. Não se cobre tanto (Foto: iStock)

Tenho certeza que vocês também gostariam de saber como as outras pessoas fazem tudo, para que talvez vocês “conseguissem” fazer tudo. As demandas de cada filho, da casa, da escola, dos relacionamentos amorosos. Os boletos! As redes sociais, por si só, já apresentam uma carga enorme em termos de demandas próprias. Como dar conta disso tudo?

Simples, a gente não dá conta. Ninguém dá conta. Quem diz que dá conta, ou está mentindo, ou tem uma equipe de 50 pessoas trabalhando na sua casa. Vamos conversar mais sobre isso? Primeiro, é impossível atender a todas as demandas dos nossos filhos, independentemente da quantidade de filhos que você tenha. E sabe o que mais? Isso é saudável para o desenvolvimento deles.

São nessas impossibilidades de ter todas as suas demandas atendidas que eles são apresentados às frustrações naturais da vida. É assim que eles entendem que os pais não são perfeitos, que nem tudo será do jeito deles, e poderão viver essa frustração.

Inclusive, o maior desastre que podemos oferecer aos nossos filhos é a ilusão de que somos pais e mães perfeitos. Mas atenção: isto é muito diferente de provocar frustração de propósito, com o único objetivo de mostrar que o “mundo é duro” como, por exemplo, desligar a TV do nada no meio de um desenho, sem aviso prévio nem combinados anteriores.

Por outro lado, esta conversa não é uma ode à negligência parental. Obviamente, precisamos estar conectados e atentos às demandas dos nossos filhos, especialmente as emocionais, mas é que há um peso enorme sobre os nossos ombros, ainda mais das mães, de que tudo tem que ser perfeito e imediato quando se fala de cuidados com os filhos.

Então, se um filho me pede para brincar enquanto estou com um bebê dormindo no colo, essa é a frustração natural que será causada pela minha impossibilidade de brincar, não porque eu deliberadamente não quero atendê-lo. E me sentir culpado não fará com que essa necessidade do meu filho seja atendida. Porém, se eu reconheço esse sentimento, acolho o meu filho e digo que entendo realmente o que ele sente, eu o ajudo.

Então é isso, vai ter dia que as louças vão acumular, que vai faltar cueca limpa (ou calcinha), que vai faltar paciência, ou tempo. A gente é humano. Sempre vai faltar algo. Só não pode faltar acolhimento.