Entre Zooms e Pratinhos: a vida do home office

Depois de tantos obstáculos superados, podemos dizer que passamos por um MBA de gerenciamento de crise. E todos merecemos o diploma

Se a vida das mães e pais que trabalham e conciliam carreira com a rotina dos filhos já era complicada antes dessa pandemia, agora alcançou níveis inimagináveis. Ninguém supunha que o caos poderia aumentar. Pior que isso, ainda não vemos luz no fim do túnel, não temos uma data precisa de quando poderemos fazer a fogueira das máscaras.

Tranquilidade, quem? (Foto: Getty Images)

Apenas sei que nesse quase um ano em que estamos vivendo com a ameaça do vírus, aprendemos como se estivéssemos em um MBA de gerenciamento de crise. Como trabalhar com um filho de 13 meses que recém começou a andar? Como apoiar a filha na matemática quando a aula dela coincide com a reunião da diretoria? Como preparar o almoço e garantir que estará apresentável no Zoom que acontece logo na sequência? Como atender o interfone que toca com o pedido do Rappi bem na hora em que você está fazendo uma vídeo reunião importante? Como gerenciar a rotina e disputa de espaço dentro da casa para conseguir um espaço silencioso para uma call? Esses poderiam ser temas cobertos nesse MBA forçado pelo qual todos nós, pais e mães, estamos passando. Ao final, merecemos um diploma e principalmente um tempo de férias!

Quem achou que trabalharia menos por estar em casa foi surpreendido com o excesso de reuniões virtuais, uma emendando na outra sem nem tempo para um respiro. Se antes já fazíamos xixi de porta aberta por causa dos filhos, agora fazemos xixi com o notebook no colo, participando da reunião e, se tudo der certo, nos lembramos de desligar a câmera antes de entrar no banheiro.

Nesse período já vivi e vi de tudo nessa mistureba de Zooms e pratinhos que temos que equilibrar. Reunião sendo interrompida porque filha puxou todos os fios do computador e apagou tudo, cenas da funcionária da casa passando de um lado para outro, bem visível na câmera, com baldes de roupa suja, crianças chorando e pedindo a atenção, pais e mães com cara de sem graça, desculpando-se por algo que não deveria acontecer no espaço profissional. Ou será o contrário, a reunião de trabalho que não deveria acontecer no espaço da casa?

O fato é que não existem mais espaços isolados. A mesa da cozinha vira sala de reunião, o banheiro vira a salinha para uma chamada rápida, e a bicicleta estacionária um perfeito assento para reuniões sem câmera em que você está apenas de ouvinte. E ao lado de cada um desses espaços, tem playground na varanda, cabana no quarto e piquenique no escritório. Todos juntos e misturados, pais e filhos, casa e trabalho. Até quando?