Falta ou excesso: a medida do equilíbrio

Ser mãe e pai é estar em constante aprendizado. Não há uma medida certa, mas a que se encaixa na sua realidade

“A falta de mãe é prejudicial, o excesso intoxica”. Escutei essa frase do Dr. Leonardo Posternak, pediatra que cuidou dos meus filhos, quando o entrevistava para meu primeiro livro. Como essa frase me ajudou, acho que o Dr. Leonardo não tem nem ideia, assim como deve ter ajudado a tantas outras mães que o ouviram em suas consultas. Tão simples e tão verdadeira, toca o coração das mães equilibristas que ficam muitas vezes divididas entre estar com os filhos ou dedicar-se ao trabalho. Já repeti essa frase muitas vezes, espalhando-a quase como um mantra para nós.

A medida correta não existe, mas uma que faz sentido para você (Foto: Shutterstock)

Mas afinal, qual o poder dessa frase? Seu maior trunfo é tirar de nossas costas, cabeças e corações, a sensação onipotente de que precisamos estar o tempo todo ao lado de nossos filhos. Sem essa presença quase que ininterrupta, temos a ilusão de que é isso que gera filhos saudáveis e emocionalmente equilibrados. Dr. Leonardo derruba essa fantasia que temos e nos abre um caminho promissor, o do equilíbrio. Ele nos ensina que a presença em excesso, ao contrário do que poderíamos supor, não é positiva para as crianças. Nossos filhos precisam conviver tanto quanto com a mãe presente como com a mãe ausente. É deste ir e vir, da presença e da falta, da alternância de sentimentos, que os bebês vão formando sua capacidade de lidar com a alegria de estar junto e com a frustração do não ter. Todos nós, a começar pelos bebês, precisam dessa vivência das polaridades, do positivo e do negativo.

Vamos juntos fazer um raciocínio ao contrário, imaginar que a mãe, o pai ou ambos estejam sempre presentes. A cada soluço, chamado ou grunhido, correm rapidamente um dos cuidadores. Em poucos segundos a necessidade é satisfeita. Não há espaço para sentir a sensação de fome ou experimentar algum friozinho. Tudo é satisfeito de forma imediata. Isso é ótimo, por um lado. A vivência é de que o mundo é bom e supre todas as necessidades do bebê. Traz segurança, certeza de que a salvação existe. Acho que hoje, de forma equivocada, temos essa busca de uma felicidade suprema para nossos filhos e achamos que qualquer coisa que se oponha isso deve ser evitada. Como contraponto a isso, também é igualmente bom ter momentos de vivência da espera, de lidar com alguma frustração (controlada) e saber que entre o desejo do bebê e sua satisfação existe um intervalo. Nem tão demorado que gere medo e insegurança exagerados, nem tão imediato que não permita à criança aprender a esperar.

Para mim, a lição que fica é a de que nossos filhos precisam ter a segurança de que vamos e voltamos. De que a ausência da mãe, do pai ou de ambos é temporária e a de que o retorno é garantido. Para que isso aconteça, eles precisam vivenciar os dois polos, o da presença e o da ausência. Curtir a proximidade e viver a perda pela distância. Sem isso, não há crescimento. Nenhum dos lados deve ser exercido de forma exagerada, o que vale é o equilíbrio. Essa medida exata, entre ausência e presença, também não tem receita. Varia de família para família, de filho para filho, de momento para momento. Aliás, acho que isso também revela a beleza da maternidade, ir descobrindo nossos limites, revisitando-os de tempos em tempos e identificando nossa própria medida do ponto exato.

Bom, fica a dica. Quando bater aquela culpa por ter que sair e deixar seu filho, não se esqueça: nada em excesso, nem de um lado nem de outro, o que vale é o equilíbrio de ausência e presença. Se apenas as palavras do Dr. Leonardo não forem suficientes, vale resgatar os dois preceitos do Oráculos de Delfos na Grécia:

1º Conhece-te a ti mesmo.

2º Nada em excesso.

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