Criança

Dez curiosidades sobre o autismo

Quase 5% das crianças são superdotadas ou apresentam altas habilidades; já 40% apresentam nível de inteligência normal

Ana Beatriz Alves

Ana Beatriz Alves ,Filha de Maria de Fátima

(Foto: iStock)

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O autismo tem nome e definição desde 1911 quando foi descrito como a versão clínica mais severa da esquizofrenia pelo psiquiatra suíço, Eugen Bleuler (1897-1939). Apesar de cada criança apresentar características distintas de autismo, o neuropediatra, um dos fundadores do Instituto NeuroSaber e pai da Helô, do Gustavo e do Maurício, Clay Brites, explica que, de forma geral, o transtorno neurológico se manifesta da mesma forma em meninos e meninas. No entanto, “o autismo em meninas costuma ser mais intenso, severo e com mais complicações neurológicas, como epilepsia e deficiência intelectual”. Confira todas as dicas do neuropediatra:

Atenção aos sinais

Pouco contato visual;
Indiferença ao colo;
Pouco interesse por outras pessoas ou crianças;
Ausência de gestos sociais espontâneos;
Irritabilidade frequente;
Não sabe brincar corretamente com brinquedos lúdicos;
Perda ou regressão de habilidades sociais e da fala organizada;
Atraso de fala;
Interesse excessivo por alguns objetos, brinquedos ou situações fora do contexto;
Medo excessivo de contatos ou de ambientes com pessoas.

Caso você detecte qualquer sinal antes de um médico ou diagnóstico, deve ir ao neurologista infantil ou psiquiatra com seu filho. Assim, ele vai poder ser diagnosticado por um especialista. Segundo Clay, o diagnóstico é clínico e depende de observação do comportamento da criança por meio de visualização direta, uso de fotos e vídeos, escalas de avaliação e do relato detalhado dos cuidadores.

Comportamentos típicos

Desinteresse por ações ou brincadeiras compartilhadas;
Pouca ou nenhuma reciprocidade ao ser chamado ou incomodado;
Ausência de capacidade de comunicação social;
Alterações de sensibilidade auditiva, táctil, visual;
Aversão por regras, rotinas e impedimentos do que gosta de fazer;
Comportamentos e interesses excessivamente exagerados por alguns assuntos, objetos, sensações etc;
Fala mecanizada, monótona, rítmica sem respeitar momentos ou situações;
Ingenuidade social e desconhecimento sobre gestos e comunicações simbólicas.

 

Dez curiosidades sobre o autismo

1- É mais comum em meninos
Os estudos indicam que, por conta do desenvolvimento neurológico diferente de meninos e meninas, o autismo está mais presente nos meninos, pois o cérebro das meninas tolera mais mutações genéticas e essa característica traz uma proteção contra o desenvolvimento de um quadro de autismo.

2- Meninas com autismo tem mais epilepsia
O autismo em meninas aumenta os riscos de ocorrências epilépticas. Tal mecanismo ainda não é bem compreendido pela medicina, mas suspeita-se que os fatores capazes de proteger as meninas do transtorno estariam ligados a uma contrapartida: o quadro seria mais severo e com maior chance de desenvolver deficiência intelectual e epilepsia em menina.

3- A causa parece mesmo ser genética
Por anos, achava-se que o autismo era uma anomalia gerada por “mães geladeiras” ou por famílias que não davam carinho e retorno afetivo suficientes aos filhos. Mas, desde os anos 70, com pesquisas confiáveis mostrando a associação dele com doenças neurológicas, epilepsias, síndromes genéticas, malformações cerebrais, etc., a teoria vem caindo por terra e o consenso entre especialistas hoje é de o autismo é um transtorno biológico e geneticamente herdado.

4- Nem todo autista tem problema na fala
O autismo difere de acordo com a pessoa.  Existem os que não falam, os que falam com dificuldades e aqueles que falam com perfeição e seguindo todas as regras gramaticais, inclusive. O importante é saber que mesmo falando bem, quem tem autismo apresentam dificuldade para se expressar de acordo com o contexto social e tendem a falar de forma mecânica e repetitiva.

5- Eles costumam  não gostar de escrever
Muitas crianças e jovens com autismo apresentam problemas motores, de coordenação, e/ou de percepção sensorial para sentir, reconhecer o tato e dificuldade para manipular lápis ou canetas. Tal limitação faz com que muitas delas evitem escrever. Com isso, acabam não criando habilidade do escrever. Portanto, são necessárias intervenções especializadas para corrigir, aos poucos, essa dificuldade.

6- Nenhum autista é igual
A variedade de apresentação clínica do autismo é uma das marcas principais.  Para além das características básicas, os prejuízos cognitivos, comportamentais, sensoriais, de linguagem e de nível intelectual mudam de criança para criança.  O motivo é a variabilidade genética envolvida e as diferenças de ambiente e do momento da intervenção nestas crianças.

7- Medicação faz bem para todos os autistas
O uso de medicações no autismo é importante especialmente para aqueles com severos comportamentos antissociais, agressivos, opositores e que possam levar a epilepsia e problemas de sono. Mas nem toda a criança com autismo precisa ser medicada! Deve-se, sempre, avaliar caso a caso.

8- A idade materna avançada aumenta risco de autismo
Isto é fato! A idade para ser mãe pode influenciar o risco de ser uma criança com autismo. Ficar grávida acima dos 40 anos eleva muito o risco de se ter um filho autista.  Dados do National Institute for Health and Care Excellence (NICE) – uma espécie de Ministério da Saúde do Reino Unido, mostram uma relação direta entre a idade materna e o aparecimento do autismo em  crianças.

9- Nem todo autista tem deficiência intelectual
Nem toda criança com autismo tem deficiência intelectual. Muito pelo contrário!  Cerca de 5% tem altas habilidades ou superdotação. Além disso, 40% apresentam nível de inteligência normal. São aptos, portanto, para a vida escolar e acadêmica. Assim, reconhecer esta condição e estas particularidades é importante para se evitar a ideia de que autistas, em geral, não conseguirão aprender.  Entretanto, 50% deles têm deficiência intelectual.

10- Autista beija e abraça
Sim, eles beijam e abraçam!  Não é porque são autistas que não fazem nem um nem o outro…  O fato não está no ato em si (beijar, abraçar),  mas como beijam e abraçam no ambiente e de que forma expressam suas manifestações de carinho.  O autista faz isto muitas vezes de forma repetitiva, sem intencionalidade espontânea, forçados pelos outros ou o fazem de forma estranha, compulsiva.

Histórico
Foi Eugen Bleuler (1897-1939) que definiu, em 1911, o que é autismo. Mas as primeiras publicações surgiram só em 1943, feitas pelo psiquiatra austríaco, Leo Kanner (1894-1981), e em 1944, pelo também psiquiatra austríaco, Hans Asperger (1906-1980).

A partir daí, foram iniciadas pesquisas clínicas e buscou-se mais compreensão sobre causas e os mecanismos do distúrbio. Com a explosão da neurociência,  nos anos 1990, a abordagem e a compreensão do autismo favoreceram pesquisas em vários campos do conhecimento, mais sensibilidade do público e  mais formas de tratamento e inclusão.

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